27.8.09
12.5.09
Esopo e a Língua

- Tenho a mais absoluta certeza de que a maior virtude da Terra está à venda no mercado.
- Como? Perguntou o amo surpreso. Tens certeza do que está falando? Como podes afirmar tal coisa?
- Não só afirmo, como, se meu amo permitir, irei até lá e trarei a maior virtude da Terra. Com a devida autorização do amo, saiu Esopo e, dali a alguns minutos voltou carregando um pequeno embrulho. Ao abrir o pacote, o velho chefe encontrou vários pedaços de língua, e, enfurecido, deu ao escravo uma chance para explicar-se.
- Meu amo, não vos enganei, retrucou Esopo. A língua é, realmente, a maior das virtudes. Com ela podemos consolar, ensinar, esclarecer, aliviar e conduzir. Pela língua os ensinos dos filósofos são divulgados, os conceitos religiosos são espalhados, as obras dos poetas se tornam conhecidas de todos. Acaso podeis negar essas verdades, meu amo?
- Boa, meu caro, retrucou o amigo do amo. Já que és desembaraçado, que tal trazer-me agora o pior vício do mundo.
- É perfeitamente possível, senhor, e com nova autorização de meu amo, irei novamente ao mercado e de lá trarei o pior vício de toda terra.
Concedida a permissão, Esopo saiu novamente e dali a minutos voltava com outro pacote semelhante ao primeiro. Ao abri-lo, os amigos encontraram novamente pedaços de língua. Desapontados, interrogaram o escravo e obtiveram dele surpreendente resposta:
- Por que vos admirais de minha escolha? Do mesmo modo que a língua, bem utilizada, se converte numa sublime virtude, quando relegada a planos inferiores se transforma no pior dos vícios. Através dela tecem-se as intrigas e as violências verbais. Através dela, as verdades mais santas, por ela mesma ensinadas, podem ser corrompidas e apresentadas como anedotas vulgares e sem sentido. - Através da língua, estabelecem-se as discussões infrutíferas, os desentendimentos prolongados e as confusões populares que levam ao desequilíbrio social. Acaso podeis refutar o que digo? Indagou Esopo.
Impressionados com a inteligência invulgar do serviçal, ambos os senhores calaram-se, comovidos, e o velho chefe, no mesmo instante, reconhecendo o disparate que era ter um homem tão sábio como escravo, deu-lhe a liberdade. Esopo aceitou a libertação e tornou-se, mais tarde, um contador de fábulas muito conhecido da antigüidade e cujas histórias até hoje se espalham por todo mundo.
28.4.09
dizem...

... que eu não toco
sem saberem que prefiro ser tocado
seu contador sempre bem-cotado
sugere cliques constantes,
mas seus números são maquilados
e suas criação apenas minguante
dizem que eu não toco
sem saberem que prefiro ser tocado
um clique aqui (+1) e outro ali (+2)
um voltar (+3) e outro avançar (+4)
e se recarrego a página, ganho duas marcas (+6)
ninguem segura este site!
dizem que eu não toco
sem saberem que prefiro ser tocado
Você está de nova vida
mais perdido do que antes
o pouco de si você deixou pra trás
dizia que só tinha casa e comida
e que só se pode viver pra'diante
acho que você não sabe o que faz
dizem que eu não toco
sem saberem que prefiro ser tocado
e meu sentido aqui é musical,
o seu, ignorado.
27.4.09
Monday, monday...

Monday, monday
So good to me
Monday mornin, it was all I hoped it would be
Oh monday mornin, monday mornin couldnt guarantee
That monday evenin you would still be here with me
Monday, monday, cant trust that day
Monday, monday, sometimes it just turns out that way
Oh monday mornin you gave me no warnin of what was to be
Oh monday, monday, how could you leave and not take me
Every other day (every other day), every other day
Every other day of the week is fine, yeah
But whenever monday comes, but whenever monday comes
A-you can find me cryin all of the time
Monday, monday
So good to me
Monday mornin, it was all I hoped it would be
Oh monday mornin, monday mornin couldnt guarantee
That monday evenin you would still be here with me
Every other day, every other day
Every other day of the week is fine, yeah
But whenever monday comes, but whenever monday comes
You can find me cryin all of the time
Monday, monday
So good to me
Monday mornin, it was all I hoped it would be
Oh monday mornin, monday mornin couldnt guarantee
That monday evenin you would still be here with me
Every other day, every other day
Every other day of the week is fine, yeah
But whenever monday comes, but whenever monday comes
You can find me cryin all of the time
Monday, monday
Cant trust that day
Monday, monday
It just turns out that way
Whoa, monday, monday, wont go away
Monday, monday, its here to stay
Oh monday, monday
Oh monday, monday
23.4.09
20090423

impossível te esquecer -
tem algo de você no lençol da cama
na xícara de chá,
no assento vazio do sofá...
no silêncio da casa
nos cômodos escuros,
no ar... ah! este ar, o mesmo
que você respirava antes de partir...
de que você vá voltar.
parabéns pra você,
que esse parabéns
já me é um presente
luv.u,e.du
3.4.09
2.4.09
as time goes by
You must remember this
A kiss is just a kiss, a sigh is just a sigh.
The fundamental things apply
As time goes by.
And when two lovers woo
They still say, "I love you."
On that you can rely
No matter what the future brings
As time goes by.
Moonlight and love songs
Never out of date.
Hearts full of passion
Jealousy and hate.
Woman needs man
And man must have his mate
That no one can deny.
It's still the same old story
A fight for love and glory
A case of do or die.
The world will always welcome lovers
As time goes by.
Oh yes, the world will always welcome lovers
As time goes by.
18.3.09
it is a beautiful day, indeed

The heart is a bloom
Shoots up through the stony ground
There's no room
No space to rent in this town
You're out of luck
And the reason that you had to care
The traffic is stuck
And you're not moving anywhere
You thought you'd found a friend
To take you out of this place
Someone you could lend a hand
In return for grace
It's a beautiful day
Sky falls, you feel like
It's a beautiful day
Don't let it get away
You're on the road
But you've got no destination
You're in the mud
In the maze of her imagination
You love this town
Even if that doesn't ring true
You've been all over
And it's been all over you
It's a beautiful day
Don't let it get away
It's a beautiful day
Touch me
Take me to that other place
Teach me
I know I'm not a hopeless case
See the world in green and blue
See China right in front of you
See the canyons broken by cloud
See the tuna fleets clearing the sea out
See the Bedouin fires at night
See the oil fields at first light
And see the bird with a leaf in her mouth
After the flood all the colors came out
It was a beautiful day
Don't let it get away
Beautiful day
Touch me
Take me to that other place
Reach me
I know I'm not a hopeless case
What you don't have you don't need it now
What you don't know you can feel it somehow
What you don't have you don't need it now
Don't need it now
Was a beautiful day
22.2.09
22022009
Pois é edu, again,você & mais ninguém!
fora tua cara dois terços
e um punhado de amigos
contados nos dedos de dez mãos.
Achas-te com sorte? Pense nas festanças
esbanjantes em abundanças de tudos & tudas,
com desperdícios de saúdes & disciplinas -
já não és aquele mesmo jovem de ontem... quanto tempo!
o mesmo tempo que não quer parar & insiste em te apresentar
mais um ano, e mais um ano, e mais um ano, e mais um ano...
com sorte, os teus também serão apresentados com mais um ano - cada qual ao seu próprio tempo
e principalmente Ela... embora preferisse que Ela ficasse fora do esquema,
melhor não, ou Ela não desfrutaria do benefício do teu maturamento... que só disso te beneficias.
Parabéns para mim...
19.2.09
My love'd know...

How can I tell you what is in my heart?
How can I measure each and every part?
How can I tell you how much I love you?
How can I measure just how much I do?
How much do I love you?
I'll tell you no lie
How deep is the ocean?
How high is the sky?
How many times a day do I think of you?
How many roses are sprinkled with dew?
How far would I travel
To be where you are?
How far is the journey
From here to a star?
And if I ever lost you
How much would I cry?
How deep is the ocean?
How high is the sky?
7.2.09
uma tristeza sem fim...

Quem tiver a benção de estar/ser apaixonado e entrar nesta sintonia, poderá sentir uma das mais tristes, sinceras e bonitas declarações de amor da música popular brasileira...
Roberto, meu camaradinha, você sabe o que é o amor, e todo o sofrimento que ele traz junto com ele! Estou contigo e não abro, mora!
Eu não me acostumo sem seus beijos
E não sei viver sem seus abraços
Aprendi que pouco tempo é muito
Se estou longe dos seus braços
E por isso eu te procuro tanto
E te telefono a toda hora
Pra dizer mais uma vez "te amo"
Como estou dizendo agora
Faço qualquer coisa nessa vida
Pra ficar um pouco do seu lado
Todo mundo diz que não existe
Ninguém mais apaixonado
Meu amor, você é minha vida
Sua vida eu também sei que sou
Cada vez mais juntos
Quem procura por você
Sabe onde estou
Olha, eu te amo tanto e você sabe
Sou capaz de tudo se preciso
Só pra ver brilhar a todo instante
No seu rosto esse sorriso
Faço qualquer coisa nessa vida
Pra ficar um pouco do seu lado
Todo mundo diz que não existe
Ninguém mais apaixonado
Meu amor, você é minha vida
Sua vida eu também sei que sou
Cada vez mais juntos
Quem procura por você
Sabe onde estou
Olha, eu te amo tanto e você sabe
Sou capaz de tudo se preciso
Só pra ver brilhar a todo instante
No seu rosto esse sorriso
26.1.09
São Paulo da Garoa

Como o tempo passa, como o tempo voa,
Neste meu São Paulo, terra da garoa.
São Paulo de dante, que o bonde corria,
Na ruinha estreita, na garoa fria.
O luar de prata que não vorta mai,
Minha serenata no bairro do Braiz.
Como o tempo passa...
Cidade singela que a saudade trais,
Da luz amarela, do lampião de gais,
Todo os bandeirante nóis vamo saudá,
São Paulo gigante, não pode pará.
Como o tempo passa...
A Light que acende lá nas marginais,
Viaduto se estende, tá crescendo mais.
Como o tempo passa...
22.1.09
necr(o)-

mulher pálida
sobre pedra gélida
friíssimas – mulher e pedra
homem apático
prostrado frente à pedra
duríssimos – membro, mulher e pedra
e mesmo já morta – ela –
atrás das cortinas fúnebres
seu necrofastígio – (d)ele –
se esmoece em gestos vazios
conforme a melodia.
asyno eduardo miranda
d eeste porto seguro d'Ijlha do Eire,
oje, qujmtª-fejra, vijgesº segº dja do prjmerº mez d eeste anno Dommini de MMIX
20.1.09
Nâzim Hikmet
Nâzim Hikmet (1902-1963) é considerado o maior poeta turco do século 20. Artistas do país, como o Prêmio Nobel de Literatura Orhan Pamuk, já diziam que o caso de Hkmet é um exemplo da repressão da Turquia promovida contra seus intelectuais. Ele foi um dos primeiros poetas turcos a usar versos livres. Tornou-se conhecido no ocidente devido a traduções de sua obra para vários idiomas. Em seu país, no entanto, Hikmet foi condenado por suas convicções Marxistas. Hikmet passou a maior parte da sua vida ou preso em seu país, ou no exílio. Permaneceu uma figura controversa, mesmo décadas após sua morte, e somente agora, dia 5 de Janeiro de 2009, e que a Turquia resolveu reestabelecer sua cidadania, destituída em 1959. Os Cantos dos Homens
tradução: Eduardo Miranda
Os cantos dos homens são mais belos que os homens
mais esperançosos
mais tristes
e com mais vida.
Mais que os homens, tenho amado seus cantos.
Posso viver sem os homens
mas nunca sem seus cantos.
Nunca me trairão os cantos.
Qualquer que seja sua língua, sempre os compreendi.
Neste mundo, nem a comida, nem a bebida
nem os becos,
nem as coisas que tenho visto, ouvido,
tocado, entendido
nada, nada,
me tem feito tão feliz como os cantos...
İnsanların türküleri kendilerinden güzel,
kendilerinden umutlu,
kendilerinden kederli,
daha uzun ömürlü kendilerinden.
Sevdim insanlardan çok türkülerini.
İnsansız yaşayabildim
türküsüz hiçbir zaman.
Kadınlarımı aldattım, türkülerini asla
Hiçbir zaman aldatmadı beni türküler de.
Türküleri anladım hangi dilde söylenirse söylensin.
Bu dünyada yiyip içtiklerimin,
gezip tozduklarımın,
görüp işittiklerimin,
dokunduklarımın, anladıklarımın
hiçbiri, hiçbiri
bahtiyar etmedi beni türküler kadar
Labels: tradução, translation
8.1.09
PASSA UN OBRER - Joan Brossa
Passa un obrer amb el paquet del dinar.
Hi ha un pobre assegut a terra.
Dos industrials prenen cafè
i reflexionen sobre el comerç.
L'Estat és una gran paraula.
PASSA UM TRABALHADOR
Tradução: eduardo miranda
Passa um trabalhador com sua marmita.
Um mendigo está sentado no chão.
Dois empresários conversam sobre negócios.
O Estado é uma falácia.
Labels: tradução, translation
25.12.08
nicolaus
tenho sofrido pra cachorro
o ano passado eu morri
mas este ano eu não morro"
[Zé Limeira, o poeta do absurdo]
éra só iço meesmo qe restaara :
ë alghuü lugar d’ mumdo
é oora d ijrse
ë alghuü lugar d’ mumdo
é oora d seerse
– signaes deesta y d’outras modernaijdades :
nhuü mumdo redomdo
d’ooras redomdas ,
falhame señr que valhote amen
– agora y na ora d’ noosa bem tardia ora ...
qe sy approçima y açerca ,
aqui o alli , ao norte o sul ,
ao eeste o oeste ,
qe os Noéis nos sejamm gentijs ,
poijs huü homeë se vae
)in memoria(
emcuamto ooutro homeë se fijca
qe é como averija de seer :
y asy só , todo o mauu casy nõ se apercebe ,
neë tampoco se pod' ijmpedjr .
oh, oh, oh
& felizannonovodenovo &
> 2oo8 - 2oo9 <
deeste porto seguro d' Ijlha d' Eire,
oje, qvartª fejira, vijgesº qvartº dija do dezº-segº mez deeste Anno-Domijnij d MMVIII.
Labels: original
16.10.08
Nós não nos fizemos?

Nós não nos fizemos,
por um segundo pensamos nisso.
Meu corpo rompe fronteiras
meu cérebro é aberto ao novo mundo
fora dos limites de Fallopius
definitivamente não me fiz
mas posso contribuir com o acabamento.
Labels: original
12.10.08
Fora da Ordem - Uma homenagem ao momento...
Vapor Barato, um mero serviçal do narcotráfico,
Foi encontrado na ruína de uma escola em construção
Aqui tudo parece que é ainda construção e já é ruína
Tudo é menino e menina no olho da rua
O asfalto, a ponte, o viaduto ganindo pra lua
Nada continua
E o cano da pistola que as crianças mordem
Reflete todas as cores da paisagem da cidade que é muito
mais bonita e
muito mais intensa do que um cartão postal
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial
Escuras coxas duras tuas duas de acrobata mulata,
Tua batata da perna moderna, a trupe intrépida em que fluis
Te encontro em Sampa de onde mal se vê quem sobe
ou desce a rampa
Alguma coisa em nossa transa é quase luz forte demais
Parece pôr tudo à prova, parece fogo, parece, parece paz
Parece paz
Pletora de alegria, um show de Jorge Benjor dentro de nós
É muito, é grande, é total
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial
Meu canto esconde-se como um bando de ianomânis
na floresta
Na minha testa caem, vêm colar-se plumas de um velho cocar
Estou de pé em cima do monte de imundo lixo baiano
Cuspo chicletes do ódio no esgoto exposto do Leblon
Mas retribuo a piscadela do garoto de frete do Trianon
Eu sei o que é bom
Eu não espero pelo dia em que todos os homens concordem
Apenas sei de diversas harmonias bonitas possíveis sem juízo final
Alguma coisa está fora da ordem
Fora da nova ordem mundial
15.9.08
The Great Gig In The Sky
9.9.08
- sem título -
Todo morto traz na cara
a marca do que viveu
cujo cunho pode estar no peito
feito o cunho que está no meu
todo morto tem uma vida
dia ou outro rogada a deus
heréu cabresto da própria sina
enzima azêda que acometeu
todo morto bem morrido
é jazido na jazida que escolheu
aquilo que te mata, meu amigo
te digo que também mata eu.
Labels: original
12.7.08
- sem título -

uma tristeza imensa,
e um cansaço de tudo
que poderia deitar-me
sobre todas as coisas e esquecê-las
- desamores, injustiças, desrespeitos.
fechar os olhos e entregar-me, suavemente,
a uma inerte e sonolenta solidariedade...
asyno eduardo miranda
deste porto seguro d'jlha d'Eire,
oje, sabbato, dezº segº dia do septº mez d este anno Dommini de MMVIII
Labels: original
11.7.08
Let's Get Lost - Lyrics

Let’s get lost, lost in each other’s arms
Let’s get lost, let them send out alarms
And though they’ll think us rather rude
Let’s tell the world we’re in that crazy mood.
Let’s defrost in a romantic mist
Let’s get crossed off everybody’s list
To celebrate this night we found each other, mmm, let’s get lost
[horn solo] [piano solo]
Let’s defrost in a romantic mist
Let’s get crossed off everybody’s list
To celebrate this night we found each other, mm, let’s get lost
oh oh, let’s get lost
26.6.08
how can you mend a broken heart

I can think of younger days when living for my life
Was everything a man could want to do.
I could never see tomorrow, but I was never told about the sorrow.
And how can you mend a broken heart?
How can you stop the rain from falling down?
How can you stop the sun from shining?
What makes the world go round?
How can you mend a this broken man?
How can a loser ever win?
Please help me mend my broken heart and let me live again.
I can still feel the breeze that rustles through the trees
And misty memories of days gone by
We could never see tomorrow, noone said a word about the sorrow.
And how can you mend a broken heart?
How can you stop the rain from falling down?
How can you stop the sun from shining?
What makes the world go round?
How can you mend this broken man?
How can a loser ever win?
Please help me mend my broken heart and let me live again.
19.5.08
comida - titãs

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...
A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...
Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...
A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...
Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...
A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...
A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...
A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...
Diversão e arte
Para qualquer parte
Diversão, balé
Como a vida quer
Desejo, necessidade, vontade
Necessidade, desejo, eh!
Necessidade, vontade, eh!
Necessidade...
22.2.08
22022008

ao norte do núcleo oco do mundo
eu-mudo-contínuo grito solidão.
do sulco púrpuro não-raso não-fundo
não-puro não-imundo corto coração.
mas não há de ser nada não, afinal,
cada qual com a sua própria mesura.
pior que sangrar é sangrar em vão,
já que na sangria ganha-se a cura.
(pura retórica - não passa de palavras,
embora educadas pela pedra, lavra-lavra
pois chamie-me do que bem deixa-vier...
meus campos pignatários hão de florescer)
amanhece diferente este dia, como sempre
eventualmente o primeiro dia do meu ano.
no fundo eu só queria um sonho não-americano
que me desse um sabor de vida & arte...
mas o porta-estandarte do meu próximo amanhã -
o tempo - se achega me trazendo um ramalhete.
no cartão, apenas os dizeres "parabéns para mim"
asyno eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do Eire,
oje, sestª-feira, vjgesº segº dia do segº mez d este anno Dommini de MMVIII
Labels: original
18.2.08
Canto para Minha Morte

Composição de Raul Seixas e Paulo Coelho, quando ele ainda não era bestiséler
Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar
Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...
Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...
Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida
14.2.08
Directly From My Heart To You

Lyrics by Frank Zappa
performed by Frank Zappa
Direct
Directly from my heart to you
Direct
Directly from my heart to you
Oh, you know that I love you
That's why I feel so blue
Oh, I pray
Our love would last away
I pray
That our love would last away
Yeah, we'd be so happy together
But you're so far away
Well, I need
(Oh, baby, need you baby)
I need you by my side
Well, I need
Yes, I need you by my side
Oh, I'd loved you little darlin'
Your love I could never hide
My Funny Valentine
Música: Richard Rodgers.Letra: Lorenz Hart.
My funny Valentine
Sweet comic Valentine
You make me smile with my heart
Your looks are laughable
Unphotographable
Yet you're my favourite work of art
Is your figure less than Greek
Is your mouth a little weak
When you open it to speak
Are you smart?
But don't change a hair for me
Not if you care for me
Stay little Valentine stay
Each day is Valentine's day
Is your figure less than Greek
Is your mouth a little weak
When you open it to speak
Are you smart?
But don't you change one hair for me
Not if you care for me
Stay little Valentine stay
7.2.08
velho, mas atualíssimo...
perante os traidores que me deram o veneno
que sai pela boca feito pecado
que vai pela boca mesmo não querendo
bêbado de orgulho, irado de fraqueza
querendo parar a vida num momento,
geometrizando belezas.
não preciso de estantes vazias
preciso sim, cabeça fria
pés firmes,
mãos livres,
olhos abertos...
Permanecer vivo, até o fim,
intocável, incomunicável,
irrespirável, indecifrável,
embalos ateus, adeus:
deus agora e sem, ilumina.
asynado eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do Eire,
n algum dia, d algum mez, d aquelle anno de MXMLXXXVIII
Labels: original
9.1.08
cão & bode

Tú, cão & tú.
cão negro não preto
guia da noite da morte
companheiro do dia da vida - desmedida!
desmesura-te e arrasta-te
manda pra berlinda a vida
deste homem-de-bem - e olhai
atentamente as almas que te rodeiam
pois saibas que sofrerás a fome,
que enquanto és vivo, celebras tú
e quando morreres celebrará tua alma.
bode branco não branco
um para o dia da vida
outro para a noite da morte - consorte!
anorteia-te e afasta-te
arrasta pro nunca a vice-morte
deste homem-de-mal - diácono nefasto
afasta-o pra onde a palavra não fecunda -
imunda alma carregada com o pecado do teu povo,
bodoso banido do céu divino a errar pelas bouças:
pouca morte terás para a tua eterna ode.
asyno eduardo miranda
deste porto seguro d' jlha d' Eire,
oje, qvartª feira, nonº dija d prijmº mez deeste Anno-Domijnij d MMVIII .
Labels: original
1.1.08
four translations

This Pessoa’s poem is marked by the forgery of the feelings – the art of misrepresentation. Autopsychography derives from Portuguese word “Psicografia” (Psychography), which derives from the Greek, meaning ‘writing from the mind or soul of a medium, words suggested by a spirit or entity’.
Autopsychography
The poet is a mere dissimulator
His dissimulation seems so real
That he dissimulates to be dolor
The dolor which he can really feel.
And those who read his writes,
In the pain chore feels well,
Not both the pains he delights,
But the one which no one tells.
Thus in the gutters of the funny wheel,
Spin, spin, to put my mind apart
This convoy of hope made of steel
This convoy of rope called heart.
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
In this poem, Quintana uses a homograph – “passarão” – the future sentence of the verb “to pass”, which can be interpreted as “death”, but also means “big bird”, although this meaning is out-of-context till the next verse, where Quintana uses the word “passarinho” – meaning “little bird” – which echoes with “passarão”, bringing up its second meaning.
The Contra’s Little Poem
All of those who may
Forbid me to fly:
They will pass away
I'm passing by.
Poeminha do Contra
Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho
Eles passarão...
Eu passarinho.
The leading figure of the Symbolist movement in Brazil, Cruz e Sousa was the son of freed slaves. His poetry weds the technical principles of French Symbolism to themes drawn from his social concerns and his own personal suffering. This poem describes a skull, emphasizing that we are all the same, and the Death takes us all, either white or black.
Skull
I
Eyes which were eyes, two holes
Neither green nor blue, cold and dull...
Two dark eyeholes in a deep stroll
Skull!
II
Nose of delicate feature, insolent,
Shaped not to be lenient but cruel.
What's been done of the sweet scent?
Skull! Skull!!
III
Mouth of white teeth and lips
Kindly rounded, almost dull.
Where the smile, the laugh, the quips?
Skull! Skull!! Skull!!!
Caveira
I
Olhos que foram olhos, dois buracos
Agora, fundos, no ondular da poeira...
Nem negros, nem azuis e nem opacos
Caveira!
II
Nariz de linhas, correções audazes,
De expressão aquilina e feiticeira,
Onde os olfatos virginais, falazes?!
Caveira! Caveira!!
III
Boca de dentes límpidos e finos,
De curva leve, original, ligeira,
Que é feito dos teus risos cristalinos!?
Caveira! Caveira!! Caveira!!!
"Morte e Vida Severina" (partially translated by Elizabeth Bishop as "Death and Life of a Severino", but for aesthetic reasons I think "Death & Life Severina" works better) is Cabral's most famous work, a very long narrative poem. The part I took here became a song sang by Chico Buarque de Hollanda, and describes the life of a poor country man in the dry northeastern part of Brazil, dreaming about have his own land.
from Death & Life Severina
The grave you are,
measured by strife
is the smallest share
you've got in life.
Neither wide nor profound,
Just the perfect range,
it’s the piece of ground
yours innately grange.
It’s not a big grave,
but measured and spared,
the land which you crave
one day to see shared.
It’s a big grave for your blunt
dead body, untied and uncurled,
you’ll feel yourself more pleasant
than you ever felt in the entire world.
de Morte e Vida Severina
Essa cova em que estás,
com palmos medida,
é a cota menor
que tiraste em vida.
É de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
neste latifúndio.
Não é cova grande.
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida.
É uma cova grande
para teu pouco defunto,
mas estarás mais ancho
que estavas no mundo.
Labels: original, tradução, translation
27.12.07
Merry Christmas
Little words from John Lenon SHOULD STILL WORK, but everybody (including me) are so busy to do something...
And so this is Christmas
And what have you done
Another year over
And a new one just begun
And so this is Christmas
I hope you have fun
The near and the dear one
The old and the young
A very merry Christmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear
And so this is Christmas
For weak and for strong
For rich and the poor ones
The world is so wrong
And so happy Christmas
For black and for white
For yellow and red ones
Let's stop all the fight
A very merry Christmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear
And so this is Christmas
And what have we done
Another year over
And a new one just begun
And so happy Christmas
We hope you have fun
The near and the dear one
The old and the young
A very merry Christmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear
War is over
If you want it
War is over
Now...
21.12.07
xmas & nuyear
pra pegar o coco / descer com o coco
do pé do coco / e abrir o coco
pra saber se o coco / é oco.
( anônimo, em 'Pequeno Livro dos Despautérios e das Causas Perdidas do Povo do Norte-Leste Brasileiro’, 1757,)
é só iço que ouuerã :
emcoantu aijmda algo d nos meesmos nos falta,
é como averija de seer: nõ podemos dijzer que
ouro o prata nõ teemnhä nenhuüm' ijmportãcia
) ë seer, por seer, com seer ( neesta modernaijdade :
emtam dijguo falhame señr, que valhote, amen
- agora y na ora d mijnha ora . . .
Y neeste novu anno que sy açerca,
que a terra sejanos leve mas nosas oras lomgas . . .
que a gamnãçija nõ ademtre muijto em nossos corações
poijs huü pouco só - y asy só -
casy nõ se apercebe,
- neë tampoco se pod' ijmpedjr.
Y que a paz faça morada na memte dos homeës de maas uontades,
porque os de booas uontades ja a tem!
oh, oh, oh
& felizannonovodenovo &
> 2oo7, 2oismileoit8 <
deste porto seguro d' jlha d' Eire,
oje, sestª feira, vjgesº prjmerº dija d dezº-segº mez deeste Anno-Domijnij d MMVII .
Labels: original
16.12.07
João Garcia de Guilhade
Fez meu amigo gran pesar a mí
e, pero m'el fez tamanho pesar,
fezestes-me-lh', amigas, perdoar
e chegou hoj'e dixi-lh'eu assí:
«Viínde ja, ca ja vos perdoei,
mais pero nunca vos ja ben querrei».
Perdoei-lh'eu, mais non ja con sabor
que eu houvesse de lhi ben fazer,
e el quis hoj'os seus olhos merger,
e dixi-lh'eu: «Olhos de traedor,
viínde ja, ca ja vos perdoei,
mais pero nunca vos ja ben querrei».
Este perdón foi de guisa, de pran,
que ja máis nunca mig'houvess'amor,
e non ousava viír con pavor,
e dixi-lh'eu: «Ai cabeça de can,
viínde ja, ca ja vos perdoei,
mais pero nunca vos ja ben querrei».
13.12.07
a pedra

... aferro-me a palavras minhas e me petrifico:
sou o protagonista dos males que crio
e dos quais sempre busco fugir.
os outros, os seres necrofágicos,
eles são os culpados. e os atraio,
os saúdo e num deles me transformo
ao transbordar minha brutalidade.
asyno eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do eire
oje, dezº terçº dia do dezº segº mez deste anno de MMVII
Labels: original
3.12.07
MY...
... LOVE IS IN THE AIR!
(John Paul Young)

Love is in the air
Everywhere I look around
Love is in the air
Every sight and every sound
And I don't know if I'm being foolish
Don't know if I'm being wise
But it's something that I must believe in
And it's there when I look in your eyes
Love is in the air
In the whisper of the trees
Love is in the air
In the thunder of the sea
And I don't know if I'm just dreaming
Don't know if I feel sane
But it's something that I must believe in
And it's there when you call out my name
(Chorus)
Love is in the air
Love is in the air
Oh oh oh
Oh oh oh
Love is in the air
In the rising of the sun
Love is in the air
When the day is nearly done
And I don't know if you're an illusion
Don't know if I see it true
But you're something that I must believe in
And you're there when I reach out for you
Love is in the air
Every sight and every sound
And I don't know if I'm being foolish
Don't know if I'm being wise
But it's something that I must believe in
And it's there when I look in your eyes
25.11.07
Tô Voltando
Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando
Põe meia dúzia de Brahma pra gelar, muda a roupa de cama
Eu tô voltando
Leva o chinelo pra sala de jantar...Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar porque eu tô voltando
Dá uma geral, faz um bom defumador, enche a casa de flor
Que eu tô voltando
Pega uma praia, aproveita, ta calor, vai pegando uma cor
Que eu tô voltando
Faz um cabelo bonito pra eu notar que eu só quero mesmo é
Despentear
Quero te agarrar... pode se preparar porque eu tô voltando
Põe pra tocar na vitrola aquele som, estréia uma camisola
Eu tô voltando
Dá folga pra empregada, manda a criançada pra casa da avó
Que eu tô voltando
Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar... Quero lá.. lá.. lá.. ia.....porque eu tô voltando!
3.11.07
um pessoa
Autopsychography
trans-creation by eduardo miranda
The poet is a mere dissimulator
His dissimulation seems so real
That he even dissimulates the dolor
The dolor which he can really feel.
And those who read his writes,
In the pain chore feels well,
Not both the pains he delights,
But the one which no one tells.
Thus in the gutters of the Funny wheel,
Spin, spin, to put my mind apart
This convoy of rope made of steel
This convoy of hope called heart.
* * *
Autopsicografia
O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.
E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.
E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.
fernando pessoa, 27/11/1930
Labels: tradução, translation
10.10.07
Alguém aí viu o meu Gin?
Does anybody here remember Vera Lynn?Remember how she said that
We would meet again
Some sunny day?
Vera! Vera!
What has become of you?
Does anybody else in here
Feel the way I do?
Pink Floyd
9.10.07
Flatus
ensaio sobre poema "The Tiger", de Willian Blake

Flatus, flatus, de intenso cheiro, flatus,
O que és, flatus, senão gases expelido pelo ânus?
Dióxido de carbono, hidrogênio e metano na mistura,
E sulfeto de hidrogênio e enxofre para dar a bastura.
E se todos falam de peido, eu também vou falar
Pois peido mesmo são aqueles que deveriam governar
Mas só peidam & peidam, sem vergonha nem decoro,
Pelos cantos, pelas casas, peidam em todos os foros.
Em que narinas & em que pulmões, daqui ou d'além mar
Queimam teus fedores? Donde os planeja fermentar?
Dentre tantos horrores que ainda hoje se atença,
Que bundas & cús brindarás com tua flatosa presença?
Quantos mortos mais? Sejam nos aviões ou nas ruas?
Quais bolsos agora farão morada às tuas falcatruas?
Donde está a vergonha de ter tua cabeça a prêmio,
Se tirar o cú da reta te faz honrado no teu grêmio?
Quais foram os martelos? Quais foram as correntes?
Em que fornalhas ousaste forjar tua infesta mente?
Com que bigornas? Que morsas de mandíbulas infinitas,
Desafiaste tuas mortalhas em quais câmaras malditas?
Flatus, flatus, de intenso cheiro, flatus,
O que és senão o cheiro podre dos teus múnus
Mensaleiros, népotas e coronéis para a mistura
E um pouco de calheiro para dar vazadura.
Labels: original
14.7.07
passarelas

nas passarelas esburacadas do centro de Milão,
com seus vestidos (italianos) &
seus cabelos (italianos) &
suas bolsas (italianas) &
suas sandálias (italianas)...
sozinhas, talvez procurem um varão italiano
que ao bem da verdade pode ser albanês
talvez não egípcio, tampouco marroquino
mas é certo que procuram um varão
para admirar suas sandálias & bolsas & cabelos & vestidos
puramente italianos.
d esta penisola effervescente da terra d'Italia,
oje, sabbato, dezº qvartº dia do septº mez d este anno de MMVII
Labels: original
9.7.07
El Vino - Alberto Cortez

"Sí señor... el vino puede sacar
cosas que el hombre se calla;
que deberían salir
cuando el hombre bebe agua.
Va buscando, pecho adentro,
por los silencios del alma
y les va poniendo voces
y los va haciendo palabras.
A veces saca una pena,
que por ser pena, es amarga;
sobre su palco de fuego,
la pone a bailar descalza.
Baila y bailando se crece,
hasta que el vino se acaba
y entonces, vuelve la pena
a ser silencio del alma.
El vino puede sacar
cosas que el hombre se calla.
Cosas que queman por dentro,
cosas que pudren el alma
de los que bajan los ojos,
de los que esconden la cara.
El vino entonces, libera
la valentía encerrada
y los disfraza de machos,
como por arte de magia...
Y entonces, son bravucones,
hasta que el vino se acaba
pues del matón al cobarde,
solo media, la resaca.
El vino puede sacar
cosas que el hombre se calla.
Cambia el prisma de las cosas
cuando más les hace falta
a los que llevan sus culpas
como una cruz a la espalda.
La puta se piensa pura,
como cuando era muchacha
y el cornudo regatea
la medida de sus astas.
Y todo tiene colores
de castidad, simulada,
pues siempre acaban el vino
los dos, en la misma cama.
El vino puede sacar
cosas que el hombre se calla.
Pero... ¡qué lindo es el vino!.
El que se bebe en la casa
del que está limpío por dentro
y tiene brillando el alma.
Que nunca le tiembla el pulso,
cuando pulsa una guitarra.
Que no le falta un amigo
ni noches para gastarlas.
Que cuando tiene un pecado,
siempre se nota en su cara...
Que bebe el vino por vino
y bebe el agua, por agua."
11.6.07
canti italiani
Poi il cuore si fa silenzioso
e tutti i clamori, gli stupiti
mancamenti, e questi uccelli impazziti
e dolci di parole chiudono
le ali –
e stanno a guardarti, tornati
immobili sui rami del cuore
osservano fermi con occhietti animali
via quel tuo andare
ma al saluto, ultimo, meraviglia
uguale che dai con il viso sulla spalla perfetti
sarebbero di nuovo già pronti ad alzarsi
far casino, strepitare.
oOo
a benção
tivemos então o coração silenciado
e todos os clamores, todos os espantos
reprimidos, todos os pássaros enjaulados
com todos os seus cantos sem encanto
e todos os seus pobres vôos atrofiados -
mas cuidamos bem deles mantendo-os
imóveis sobre as ramas do coração
observando-os com nossos olhares devotos
seus cantares desprovido de qualquer emoção
e à hora da última benção, abducente,
tal qual as nossas, dos sonhos perfeitos,
já a esta hora estariam prontos, novamente
a erguerem-se em bordéis, a clamarem seus direitos.
trascriazione: eduardo miranda
Labels: tradução, translation
3.6.07
tankas irlandeses
na mesa posta para o jantar, quatro pratos
ele & ela ainda esperam
os filhos descerem para o jantar
nunca mais vão se mexer
filha
quando maria primeira morreu, zé pensou:
maria segunda está ficando moça.
quando maria segunda morreu, zé pensou:
para dar vazão à minha luxúria
assyno eduardo miranda,
d este porto seguro da jlha do Eire,
oje, domjngo, terçº dia do sestº mez d este anno de MMVII
Labels: original
26.5.07
sozinho...viscerosamente sozinho.
só assim posso ouvir-me por inteiro,
a todos os apelos e a todas as urgências
de todos os vôos que sempre quis voar
de todos os cantos que sempre quis cantar
de todos os mundos que sempre quis mudar
mas por engrenagens-motivos não me entrosei
todas as seqüelas das antiutopias da utopia
e suas gárgulas quiméricas populando meu imaginário
de todos os excessos que sempre me dispus a cometer
com todas e mais outras adicções estupefacientes
de todas as imersões da minha alma parônima
de todas as emersões de contradições homófonas
a tudo isto quero celebrar,
rápido, rápido, antes que tardo,
pois o fumo já se queimou
e o conhaque pertence ao etéreo
assyno eduardo miranda,
d este porto seguro da jlha do Eire,
oje, sabbato, vigesº sestº dia do qvjmtº mez d este anno de MMVII
Labels: original
21.4.07
notas para um sábado
de manhãs preguiçosas e almoços espaçados,
e nós, atrasados... sempre atrasados!
sessões de cinema no fim da tarde
depois um jazzinho sem muito alarde
e a dança dos lençóis - capítulo à parte!
onde andarás nessas tardes vazias
agora que sábado é só mais um daqueles dias
intermináveis, que parecem não ter mais fim
depois que o sol se põe nas varandas
em que bares? em que cirandas?
por onde andas a te distrair de mim?
assyno eduardo miranda,
d este porto seguro da jlha do Eire,
oje, sabbato, vjgesº-prjmerº dia do qvartº mez d este anno de MMVII
22.2.07
22022007
se de me magoar já me cansoenquanto desgosto me causo,
pauso agora esta vida de feridas
sabidas e não sabidas, na busca
ofusca(da) da pedra filosofal,
grande mal da humanidade: tentar
tapear a morte e com ouro fácil enricar
quando deveria pensar em volatizar...
volatizar - sendo um Ser mais Sermente -
volatizar-me-ei num SELFware mais SELFwarely!
natalis mihi hodie est:
parabéns para mim.
assyno eduardo miranda,
d este porto seguro da jlha do Eire,
oje, qujmtª feira, vigesº segonº dia do segonº mez d este anno de MMVII
Labels: original
23.1.07
... e não é que há quem diga?
Há quem diga que eu dormi de touca
Que eu perdi a boca, que eu fugi da briga
Que eu caí do galho e que não vi saída
Que eu morri de medo quando o pau quebrou
Há quem diga que eu não sei de nada
Que eu não sou de nada e não peço desculpas
Que eu não tenho culpa, mas que eu dei bobeira
E que Durango Kid quase me pegou
Eu, por mim, queria isso e aquilo
Um quilo mais daquilo, um grilo menos disso
É disso que eu preciso ou não é nada disso
Eu quero todo mundo nesse carnaval...
Eu quero é botar meu bloco na rua
Brincar, botar pra gemer
Eu quero é botar meu bloco na rua
Gingar, pra dar e vender.
(Sergio Sampaio)
21.11.06
-: pequeno tratado do desterro :-
o livro dos rancores
o livro dos rancores
moças bonitas melhor não tê-las
casos de noites de amores morrido
ferido animal evade a largos passos
vida cruel agora que tinhas tudo
mudo mundo de marcadas feridas
amarga testemunha de céu obscuro
puro rancor que só em dor se alarga
enormes peitos composto adiposo
poroso tecido de formas aformes
bunda de bonitos contornos feita
arquétipo de minha libido imunda
abjeto orgão de larga bocaina
vagina cruel cuspidora de feto
herda destempero teu querer
você e nada são a mesma merda
deste porto seguro da jlha do Eire,
oje, terçª feira, vigº primº dia do dezº primº mez d este anno de MMVI
Labels: original
19.10.06
-: pequeno tratado do desterro :-
heresias
heresias
alá
+ 66 deuses terríveis
queimam aloés negro
2.
bâqi o eterno e amável
de amor açucara o ar
com danûsh e nulûsh
3.
jâmi
reúne os terríveis
e os amáveis
4.
dayyân conta
65 sândalos vermelhos
ao sol
5.
hâdi com seus 20 guias
também busca sândalos
embora brancos
6.
wali
amigo de puyûsh e raftmâ’il
7.
zaki
purifica o câncer
com água e mel
8.
haqq composto de
verdades e ódio e terra
composto
9.
tâhir
e o terrível desejo
santo de fogo
10.
yâsin chefe
atrai 130 folhas
de rosas de marte
20.
kâfi presumido folhas
de rosas brancas
e escorpiões
30.
latif separa as maçãs
benignas
para vênus
40.
malik rei de marmelo
leão terrível
de amor
50.
nûr
luz de ódio odor
jacinto libra amável
60.
sami’ ouve desejo
expresso nos diferentes
perfumes d’água
70.
’ali exaltado enriquece na
terra virgem da pimenta
branca
80.
fattâh que abre a noz
para o leão e a
hostilidade
90.
samad estabelecido sob
sol e intensidade
moscada
100.
qâdir
composto água desejo
peixe e vênus
200.
rab + 200 senhores
banham virgens com
água de rosas
300.
shafi’ aceita o escorpião
com aroma de aloés
branco
400.
tawwâb perdoa
a insônia de latyûsh e
azrâ’il
500.
thâbit
estável ódio e águas
sem peixes e águas
600.
khâliq criador de 731
violetas na terra de
capricórnio
700.
dhâkir se recorda dos
manjericões de fogo
em fogo
800.
dârr com ar cítiso
pune vênus
e aquário
900.
zâhir evidencia
1106 hostilidades
a ghafûpush e nurâ’il
1000.
ghafûr grande perdoador
despeja cravos-da-índia
na terra convalescente
asyno eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do Eire,
oje, qujmtª feira, dezº nonº dia do dezº mez d este anno de MMVI
Labels: original
21.9.06
numa manhã desprovida de pássaros e sem lascas de sol.
uma nudez de alguma ausência anuncia um acontecimento:
busco devolver o corpo ao corpo... do corpo aos corpos
depois de tudo o que passei:
joões-de-barro despencados galho a galho
pedras desfolhadas em saveiros estelares
surpreso ao constatar que algo em mim ainda cresça,
(apesar de tudo)
nascido em fevereiro,
como pude endomingar-me?
asyno eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do Eire,
oje, qujmtª feira, vigézº primº dia do nonº mez d este anno de MMVI
Labels: original
16.9.06
como esperávamos.
antes, ele nos abraçou com a vontade
de quem revê um velho amigo que não se via há muito...
mas ao menos fizemos graça disso tudo,
como brincadeira de criança:
um ano para você, um ano para mim,
invariavelmente...
assim nossos olhos cegos poderão
continuar a enxergar em nós
toda a beleza que queremos enxergar...
asyno eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do Eire,
oje, sabbato, dezº sexº dia do nonº mez d este anno de MMVI
Labels: original
6.9.06
Grandfather
They brought him in on a stretcher from the world,
Wounded but humorous; and he soon recovered.
Boiler-rooms, row upon row of gantries rolled
Away to reveal the landscape of a childhood
Only he can recapture. Even on cold
Mornings he is up at six with a block of wood
Or a box of nails, discreetly up to no good
Or banging round the house like a four-year-old --
Never there when you call. But after dark
You hear his great boots thumping in the hall
And in he comes, as cute as they come. Each night
His shrewd eyes bolt the door and set the clock
Against the future, then his light goes out.
Nothing escapes him; he escapes us all.
19.8.06
despojamento
outros todomundo perguntavam, apesar dos pesares:
e tu, amiga, sabes donde estas metendo tua colher?
e tu dizia, preocupem não, sei o que estou a fazer.
embora saber sabia, o que prever não podia era donde
tal viagem ia dar, no coração é certo, se perto ou longe
do núcleo, ele mesmo o divisor do que é eterno ou efêmero,
que só de a dúvida brotar já fica o coração mais enfermo...
e coisa vai, coisa ia, tudo bem regado a certa poesia,
a tal do dia a dia, que encanta, enfeitiça e alumia
e se já se vai meio sem rumo, ponto sem nó, fruta sem sumo
aí é que o bicho pega, a cabra cega e a cobra leva fumo.
e mesmo sem crer em dito popular, maldito ou bendito que seja
entrega-se a alma e tudo mais que nela se carrega, de bandeja,
e ao entregar tão valoroso bem a um outro, esse tal de Alguém,
vê-se que também se queria que esse Alguém lhe desse o mesmo bem,
mas se de esperar a gente se cansa, contravontades de amores
então luta-se contra a vontade, a evitar devastações maiores
e parte-se, divide-se, subtrai-se então, e sem somatória
vai-se à procura de algo(uém) pra ajuntar e fazer história.
asyno eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do Eire,
oje, sabbato, dezº nonº dia do octº mez d este anno de MMVI
Labels: original
16.8.06
antônio risério
todo morto traz na cara
a marca do que viveu
cujo cunho pode estar no peito
feito o cunho que está no meu
todo morto tem uma vida
dia ou outro rogada a deus
heréu cabresto da própria sina
enzima azêda que acometeu
todo morto bem morrido
é jazido na jazida que escolheu
aquilo que te mata, meu amigo
te digo que também mata eu.
asyno eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do Eire,
oje, qvarª feira, dezº sesº dia do octº mez d este anno de MMVI
Labels: original
15.8.06
los tejidos templarios
titubeante mas fluente - que sou, que faço, me abunda
incha minha bola de festim com estalido catalano
(estou absolutamente apático nesta segunda)
dou de comer & de beber a todo o ócio distraído
tapas & beijos & cavas a alegrias passageiras
imagino-me como uma puta de avenidas estrangeiras
a exibir um falso-brilhante já gasto e abatido
fecho as janelas, deito-me ao chão do equador
inevitavelmente ao sul, tanto por aquis como por lás
sempre voltarei para os flamboyants dos meus orixás
já posso me ver como um gris de flamejante topor
a consumir meus dias avindos e voluntários
lleno de estampas en los tejidos templarios.
asyno eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do Eire,
oje, terçª feira, dezº qujmto dia do octº mez d este anno de MMVI
Labels: original
13.8.06
retirante
e se quando aqui chegou
tinha algo pra falar, calou:
é que o coração desdentado
desconhecia o verbo enroscado
na garganta
e aquele mundo antes pequeno,
ameno, que lhe possibilitava, matou.
:deixou de sonhar o horizonte númeno
autógeno da possibilidade iminente
e lembrou
de um passado saudoso, e chorou
o choro dos bravos, mas lutou
pelo que veio buscar, eminente
veio, viu, venceu: plantou fruto donde
nasci eu...
asyno eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do Eire,
oje, domjngo, dezº terçº dia do octº mez d este anno de MMVI
Labels: original
10.8.06
alheia
nas coisas todas que tocaste
como se mexidas há pouco
no pouco tempo que ficaste.
e parece que ainda andas de vulto
inulto bulir das coisas com precisão
de ladrão: rouba-me, leva-me, lava-me,
sirva-te de mim, mas não deixa eu não.
asyno eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do Eire,
oje, qujmta feira, dezº dia do octº mez d este anno de MMVI
Labels: original
alumia
incandesce o extremo norte
desse cachimbo boreal
e inala...
bota voz & poder dentro nessa boca
abre braços & pernas prum leste-oeste qualquer
e constata...
explode veia temporal & fecha
o sabre-flecha d'cabeça escalpada
e arremata...
deste porto seguro da jlha do Eire,
oje, qujmta feira, dezº dia do octº mez d este anno de MMVI
Labels: original
25.7.06
the week - sunday
sweaty sheets & awakenings of oversleep —
but never will be an oversleep.
silent sun of fire planks
my fourth moment.
childish tv shows, families i don’t want
everything's just a sedative (in bulk) for the game.
lunch at my place, everybody is welcome
we’ll try to have fun.
then, movie theater, beer & snacks
(and still the fairies will be in their nests)
the ends are all the same
masses i don’t attend
(can’t stand civilization)
and you went awayforgetting to take my heart along.
domingo.
lençóis suados e despertares de perder a hora —
mas nunca haverão horas a perder.
silêncioso sol de fogo assoalha
meu quarto instante.
programas infantis, famílias não me quero
tudo só calmante (a granel) para o jogo.
almoço lá em casa, chama o pessoal
a gente tenta se divertir.
depois cinema cerveja & pastel
(e ainda assim as fadas estarão em seus ninhos)
os finais sempre os mesmos
missas que não freqüento
(não suporto civilização)
e você foi embora
esquecendo de levar meu coração.
Labels: original, tradução, translation
the week - saturday
afternoons smothered in slim tears
transparent, absent. (non-existent)
telephone call compromising
desires full of sunbath
but today is more was more will be more…
wide black hat (her gift)
golden braids & petroleum earrings:
don’t let our boat wreck!
round and smiling coats
movies without tales …
doesn’t matter whether lying sitting or standing
showers & jacuzzi baths
your naked always virgin body
so my sins could engulf you.
do not demand anything and i will not desire either
let us be imperfectand our adorations still will be unique…
sábado.
tarde sufocada em fina lágrima
transparente, inexistente.
telefonema compromete
vontade cheia de banho de sol.
mas hoje é mais foi mais será mais…
chapéu largo e preto (presente dela)
tranças de ouro e brincos de petróleo:
não deixe naufragar nosso barco!
casacos redondos e risonhos
filmes sem contos…
não importa se deitado sentado ou em pé
duchas & hidromassagens
teu corpo nu sempre virgem
para que meus pecados possam te satisfazer.
não exijas nada que também não desejo
sejamos imperfeitos
e nossas adorações ainda serão únicas…
Labels: original, tradução, translation
the week - friday
hallucinations disturb
what you think feel see.
body culture there
beers & spirits & nicotines here
occasionally we break the routine.
courage! courage!
put down your guard & your guns…
he&she young guns dirty sweaty itchy
stuck on li'le nylon bags (i see…)
luxury is out (madness…)
humidifying our stunted eyes.
icebergs worn
for a typical tropical summer morn…
not that conventional, not that bad…what can go bad?
sexta.
alucinações perturbam
o que você pensa sente vê.
culturas do corpo ali
cervejas & aguardentes & nicotinas aqui
vez ou outra a gente quebra a rotina.
coragem! coragem!
baixe a guarda & a arma…
moleques & molecas sujos suados sarnentos
colados em sacos plásticos (entendo…)
o luxo está em baixa (loucura…)
umedecendo nossos olhos pequenos.
icebergs fantasiados
para uma manhã de verão carioca…
nada convencional, nada mal…
o que vou mal?
Labels: original, tradução, translation
20.7.06
the week - thursday
it’s coming it’s coming
almost 7 but not 5.
(i lie & lie & lie)
i love to lie and break logics into small pieces
or be silent. i’m going to be silent now!
music ‘de lius’, or
invertebrate prelude
of the purest stainless steel
crowned & unexplained
vague silent-pause chained
hard line de-ridiculed
of all yearnings want-mores.
I hope to see you but I don’t see you
quinta.
vem chegando vem chegando
hoje dá 7 mas não chega 5.
(minto minto minto)
adoro mentir e estilhaçar lógicas
ou me calar. vou me calar agora!
música de lius, ou
prelúdio invertebrado
do mais puro aço
coroadas & inexplicadas
vago silêncio-pausa acorrentado
duro traço desesculachado
de todo queromais.
espero te ver não te vejo
Labels: original, tradução, translation
19.7.06
the week - wednesday
spacials cinema showings in the city centre:
popcorns & chocolates. kisses before and after.
darkness of lost lanterns,
lipsticks & gums…
who talks about the job pays a candy!
black tea and milk, book sales, cigarettes
(cof! cof! cof!)…
the smoke disappears in the cold of the night
like us.
we embrace each other,
and share our warmth.
buses & shoulders & sleepinesses
all the way home on foot.
searching for free laughs
yet we are both of a different us.
quarta.
sessões de cinema espaciais no centro da cidade:
pipocas & chocolates. beijos antes e depois.
escurinho de lanternas sem destino,
batons & chicle…
quem falar de serviço paga um bombom!
chá mate com leite, liquidação de livros, cigarros
(cóf! cóf! cóf!)…
desaparecem as fumaças no frio da noite
assim como nós.
a gente se abraça,
divide nosso calor.
ônibus & ombros & sonos
o caminho pra casa, a pé.
em busca de risadas livres
ainda somos diferentes dois.
Labels: original, tradução, translation
18.7.06
the week - tuesday
the third time i call you in my imagination
looking for something under the desk
for some kind of note: crystalline forgivenesses,
streams of tear drops and truths,
anonymous, sulphurous, disinfected. nothingness.
but today musical signs will take over
my thoughts,
but the heart, nudging, nudging,
like a cunning wand waving:
one, two, three, four, one, two, three, four,
one, two, 3, 4…
5.000 times no!
one day i’ll see you
far from feline eyes…
and nevertheless it will be real
as it always was.
terça.
terceira vez que te ligo de imaginação
procurando embaixo das mesas
algum recado: perdoares cristalinos,
gotas de lágrimas e de verdades,
anônimas, sulfurosas, desinfetadas. nada.
mas hoje notas musicais tomarão conta
de meus pensamentos,
menos do coração, que cutuca, cutuca,
feito batuta astuta:
um, dois, três, quatro, um, dois, três, quatro,
um, dois, 3, 4…
5.000 vezes não!
um dia eu vou te ver
longe de olhares felinos…
e ainda assim será de verdade
como sempre foi.
Labels: original, tradução, translation
17.7.06
the week - monday
a rose looks tenebrous
in this garden.
even now early i am out of myself...
buses, books, news i didn’t read
beautiful girls & their wretched wet hair
& crushed faces (what's for lunch?)
clock-in card and the beginning of the week…
the same flutter.
drizzle cries drops outside — it’s my turn…
quick! the mask! the mask!
i don’t want to sin anymore!
i have my feet fixed into the cement,
& wreck: “going down... and down...
get lost with him,
it’s not worth this torment!”
but it’s just the beginning, nothing ends that soon.
we can’t allways keep up with appointments
contempts & break-ups loaded involuntarily
graves of light in flooded epitaph…
inside will be the eyes of comprehension.
uma rosa parece tenebrosa
neste jardim.
já cedo me perdi…
ônibus, livros, notícias que não li
garotas bonitas e seus pobres cabelos molhados
& caras amassadas (o que será no almoço?)
cartão de ponto e início de semana…
o mesmo alvoroço.
uma garoa chora lá fora — chegou minha vez…
rápido! a máscara! a máscara!
não quero pecar outra vez!
tenho os pés cravados no cimento,
e afundo: “ao fundo… ao fundo…
sumam com ele,
não vale a pena este tormento!”
mas é apenas o começo, nada acaba tão cedo.
nem sempre podemos respeitar as horas marcadas
desprezos & foras carregados involuntariamente
túmulo de luz em epitáfios inundados…
dentro estarão os olhares de compreensão.
Labels: original, tradução, translation
16.6.06
the bloomsday
Hoje é Bloomsday, data fictícia comemorada oficialmente para homenagear Ulysses, romance de James Joyce. Se trata das aventuras de Leopold Bloom pelsa ruas de Dublin, no dia 16 de Junho de 1904.=8¬;/
A Flower Given to my Daughter
Frail the white rose and frail are
Her hands that gave
Whose soul is sere and paler
Than time's wan wave.
Rosefrail and fair--yet frailest
A wonder wild
In gentle eyes thou veilest,
My blueveined child.
James Joyce, Trieste, 1913
8.6.06
we real cool - gwendolyn brooks
Seven at the Golden Shovel
We real cool. We
Left school. We
Lurk late. We
Strike straight. We
Sing sin. We
Thin gin. We
Jazz June. We
Die soon.
gwendolyn brooks
31.5.06
Walt Whitman
A primeira edição de Folhas de Relva (Leaves of Grass) foi publicada por Whitman, às próprias custas, em 1855, no memso ano da morte do pai. Nesta época, o livro consistia de 12 poemas longos e sem título. A reação de público e crítica foi irrelevante. Um ano mais tarde, a segunda edição, incluindo uma carta pessoal de parabenização de Ralph Waldo Emerson, na qual o próprio Emerson se surpreendeu ao ver publicada. A edição continha 20 poemas adicionais. Durante a Gerra Civil Americana, Whitman ajudou a cuidar de soldados feridos na cidade de Washington e imediações. Ali teve a oportunidade de conhecer Abraham Lincoln, e veio a ser um grande admirador do Presidente. Seu poema "O Captain! My Captain!" (Oh Capitão! Meu Capitão!) popularizado por Robin Willians no filme A sociedade dos Poetas Mortos em 1989, foi inspirado na morte de Lincoln.

Não chamo um o maior e outro o menor,
Quem quer que preencha o seu período de tempo
e lugar é igual a qualquer outro.
Meus signos são uma capa à prova de chuva, bons
calçados e um bordão colhido nos bosques.
Nenhum dos meus amigos busca descanso em
minha cadeira.
Não possuo cadeira, nem igreja, nem filosofia,
Não conduzo homem algum à mesa do jantar,
biblioteca ou casa de câmbio,
Mas conduzo cada um de vós, homem ou mulher,
para o alto de um outeiro
Minha mão esquerda prende-vos pela cintura,
Minha mão direita aponta em direcção de
continentes e estrada aberta.
19.5.06
Poema de Sete Faces - Drummond
13.4.06
7.4.06
calo-me num grito tão alto como o silêncio que aterroriza de branco
o canto escuro em que pensei poesia num dia claro de verão paulista
racista sem o filtro de aglutinantes cores em branco tampouco preto
quieto & ausente de sentido dele mesmo despresença axeviena e sinto
garimpo-galope louco de desejo com pexeira & verbo na boca em riste
saiste rápino como sempre & também saio eu deste ninho de conformes
disforme ninguém que fui & ao sair parto cu'a impressão de ir tarde
Labels: original
26.3.06
A Poetry a day to keep the doc away
A 7 days' friendship-repair program!

7 - Il saluto - Davide Rondoni
Poi il cuore si fa silenzioso
e tutti i clamori, gli stupiti
mancamenti, e questi uccelli impazziti
e dolci di parole chiudono
le ali –
e stanno a guardarti, tornati
immobili sui rami del cuore
osservano fermi con occhietti animali
via quel tuo andare
ma al saluto, ultimo, meraviglia
uguale che dai con il viso sulla spalla perfetti
sarebbero di nuovo già pronti ad alzarsi
far casino, strepitare.
24.3.06
A Poetry a day to keep the doc away
A 7 days' friendship-repair program!

6 - Dous poetas galegos...
Longa Noite de Pedra - Celso Emilio Ferreiro
O teito é de pedra.
De pedra son os muros
i as tebras.
De pedra o chan
i as reixas.
As portas,
as cadeas,
o aire,
as fenestras,
as olladas,
son de pedra.
Os corazós dos homes
que ao lonxe espreitan,
feitos están
tamén
de pedra.
I eu, morrendo
nesta longa noite
de pedra.
* * *
In A Silent Way - Manuel Outeiriño
Fóronlle doendo as razóns que dá o tempo,
mais procuraba roelas, ben roídas,
e non daba calado, o que se di
calar, non daba.
Andaba a voces, e adoecido, o pobre,
cos anacos da súa decoración
interiorista: un pórtico de pedra con figuras polícromas.
Morría co frío -viña aí o mal tempo- o pobre de pedir
do seu espírito.
A Poetry a day to keep the doc away
A 7 days' friendship-repair program!

5 - A Vera - Nâzim Hikmet
Dentro de mí hay un árbol
traje su vástago del sol.
Sus hojas se balancean como peces de fuego
y sus frutos gorjean como pájaros.
Los astronautas
descendieron hace tiempo a la estrella que guardo dentro de mí.
Hablan en lenguas oídas en sueños
sin órdenes desplantes ni súplicas.
Dentro de mí hay un camino albo.
Por él pasan las hormigas con sus granos de trigo
y los camiones con sus gritos de fiesta
pero está prohibido el paso a los coches fúnebres.
Dentro de mí el tiempo se detiene
como una rosa roja y perfumada.
Pero hoy es viernes y mañana sábado
mucho se me fue y poco me queda pero no me importa.
23.3.06
A Poetry a day to keep the doc away
A 7 days' friendship-repair program!

4 - Élévation - Charles Baudelaire
Au-dessus des étangs, au-dessus des vallées,
Des montagnes, des bois, des nuages, des mers,
Par delà le soleil, par delà les éthers,
Par delà les confins des sphères étoilées,
Mon esprit, tu te meus avec agilité,
Et, comme un bon nageur qui se pâme dans l'onde,
Tu sillonnes gaiement l'immensité profonde
Avec une indicible et mâle volupté.
Envole-toi bien loin de ces miasmes morbides;
Va te purifier dans l'air supérieur,
Et bois, comme une pure et divine liqueur,
Le feu clair qui remplit les espaces limpides.
Derrière les ennuis et les vastes chagrins
Qui chargent de leur poids l'existence brumeuse,
Heureux celui qui peut d'une aile vigoureuse
S'élancer vers les champs lumineux et sereins;
Celui dont les pensers, comme des alouettes,
Vers les cieux le matin prennent un libre essor,
- Qui plane sur la vie, et comprend sans effort
Le langage des fleurs et des choses muettes!
21.3.06
A Poetry a day to keep the doc away
A 7 days' friendship-repair program!

3 - Llibre de Sinera - Salvador Espriu
[fragments...]
Ordenat, establert, potser intel·ligible,
deixo el petit món que duc des de l'origen
i des d'ell m'envoltà, car arriben de sobte
els neguitosos passos al terme del camí.
Concedida als meus ulls l'estranya força
de penetrar tot aquest gruix del mur, contemplo
els closos, silenciosos, solitaris
conceptes que van creant i enlairen
per a ningú les agitades mans del foc.
Ah, la diversa identitat davallada dels pous,
tan dolorós esforç per confegir i aprendre,
una a una, les lletres dels mots del no-res!
Aücs del vent albardà entorn de la casa.
Vet aquí l'home vell, al davant de la casa,
com alça a poc a poc la seva pols
en un moment, àrid i nu, d'estàtua.
Terra seca després, ja per sempre
fora del nombre, del nom, trossejada
a les fondàries per les rels de l'arbre.
...
Però en la sequedat arrela el pi
crescut des d'ella cap al lliure vent
que ordeno i dic amb unes poques lletres
d'una breu i molt noble i eterna paraula:
m'alço vell tronc damunt la mar,
ombrejo i guardo el pas del meu camí,
reposa en mi la llum i encalmo ja la nit,
torno la dura veu en nu roquer del cant.
A Poetry a day to keep the doc away
A 7 days' friendship-repair program!

2 - Dispersão - Mário de Sá Carneiro
Perdi-me dentro de mim
Porque eu era labirinto,
E hoje, quando me sinto,
É com saudades de mim.
Passei pela minha vida
Um astro doido a sonhar.
Na ânsia de ultrapassar,
Nem dei pela minha vida...
Para mim é sempre ontem,
Não tenho amanhã nem hoje:
O tempo que aos outros foge
Cai sobre mim feito ontem.
(O Domingo de Paris
Lembra-me o desaparecido
Que sentia comovido
Os Domingos de Paris:
Porque um domingo é família,
É bem-estar, é singeleza,
E os que olham a beleza
Não têm bem-estar nem família).
O pobre moço das ânsias...
Tu, sim, tu eras alguém!
E foi por isso também
Que te abismaste nas ânsias.
A grande ave doirada
Bateu asas para os céus,
Mas fechou-as saciada
Ao ver que ganhava os céus.
Como se chora um amante,
Assim me choro a mim mesmo:
Eu fui amante inconstante
Que se traiu a si mesmo.
Não sinto o espaço que encerro
Nem as linhas que projecto:
Se me olho a um espelho, erro -
Não me acho no que projecto.
Regresso dentro de mim
Mas nada me fala, nada!
Tenho a alma amortalhada,
Sequinha, dentro de mim.
Não perdi a minha alma,
Fiquei com ela, perdida.
Assim eu choro, da vida,
A morte da minha alma.
Saudosamente recordo
Uma gentil companheira
Que na minha vida inteira
Eu nunca vi... mas recordo
A sua boca doirada
E o seu corpo esmaecido,
Em um hálito perdido
Que vem na tarde doirada.
(As minhas grandes saudades
São do que nunca enlacei.
Ai, como eu tenho saudades
Dos sonhos que não sonhei!...)
E sinto que a minha morte -
Minha dispersão total -
Existe lá longe, ao norte,
Numa grande capital.
Vejo o meu último dia
Pintado em rolos de fumo,
E todo azul-de-agonia
Em sombra e além me sumo.
Ternura feita saudade,
Eu beijo as minhas mãos brancas...
Sou amor e piedade
Em face dessas mãos brancas...
Tristes mãos longas e lindas
Que eram feitas p'ra se dar...
Ninguém mas quis apertar...
Tristes mãos longas e lindas...
Eu tenho pena de mim,
Pobre menino ideal...
Que me faltou afinal?
Um elo? Um rastro?... Ai de mim!...
Desceu-me n'alma o crepúsculo;
Eu fui alguém que passou.
Serei, mas já não me sou;
Não vivo, durmo o crepúsculo.
Álcool dum sono outonal
Me penetrou vagamente
A difundir-me dormente
Em uma bruma outonal.
Perdi a morte e a vida,
E, louco, não enlouqueço...
A hora foge vivida
Eu sigo-a, mas permaneço...
.....................................
Castelos desmantelados,
Leões alados sem juba...
.....................................
20.3.06
A Poetry a day to keep the doc away
A 7 days' friendship-repair program!

1 - Al Partir - Nâzim Hikmet
Al partir, me quedan cosas que acabar,
pero siguió desvanecida, sin recobrar el sentido.
Cogí la naranja de la rama,
pero no pude depojarla de su corteza.
Me reuní con las estrellas,
pero no pude contarlas.
Saqué agua del pozo,
pero no pude servirla en los vasos.
Coloqué las rosas en la bandeja,
pero no pude tallar las tazas de piedra.
No sacié mis amores.
Al partir, me quedan cosas que acabar,
8.3.06
nâzim hikmet
born: 1902, Salonica; died: June 3, 1963, Moscow
A fervent nationalist patriot, a socialist whose humanistic views tran- scended barriers of race and country, Nazim Hikmet is considered one of Turkey's very foremost modern poets... and yet for many years his works were banned in his native country and he himself suffered long exile.
"violaram nossos ramos verdes e frescos
fraturaram nossas mãos que seguravam um livro
fizeram escorrer o sangue de nossos filhos. "
tradução (do espanhol): eduardo miranda
Labels: tradução, translation
22.2.06
22022006
embora nem parecesse, e nem por isso pareces estar
mais vivo ou mais morto do que costumavas aparentar,
tampouco mais ou menos torto do que sempre esteves,
desde o segundo nascimento - que o primeiro não conta -
nascimento no qual se tornaste gente, dos pensantes, nada mais
[aquele dos homens medíocres e seus 100 valores morais].
engenheiros do tempo, melhor mesmo é parar de contar - tudo é cabeça -
trinta e dez é igual a quarenta, não faz diferença...
e ainda assim tens muito o que melhorar... ah se tens!
este teu jeito enfático, cangaceiro de discurso-peixeira
que enfileira & intimida pela des(-razão) da (des-)razão,
entorta & sufoca & inibe & abafa a todo discurso,
anti-curso do que buscas, que também és tu um solitário...
- e se ja eras, ainda mais agora, arauto galgo de coisas & sofrimentos
+ de tudo, então tu, esmo esborro, fidalgo dalgo incerto,
valgo de tu mesmo, quinta parte ou sesmo do que pretendias inteiro,
sendeiro oscuro & ebscuro, danado de errado e bom, que não aprendeu
a contar de dez a um, mas de vez por todas & que sempre já soube:
só mais um... só mais um... para sempre só mais um...
aí solitarionauta partes em busca desafreada a caçadas insanas
deshumanas e deshalmadas por todos os futuros hontems e passados ojes
de todas as almas (inumanas) que poçã hexistir, fossa himunda
de todos os apegos e (de)formações: todamágoa, todorancor, todaraiva
- aquela mesma que nos mata em cada dia dos nossos dias -
e a palavra cotidiana desprezada, que embora já seja palavra apenas,
é da boca pra dentro, e inunda de boa vontade os interiores,
e como sabemos, de boa vontade em boa vontade se vai ao longe,
embora não adiante muito o bonde...
parabéns pra você.
assyno eduardo miranda,
d este porto seguro da jlha do Eire,
oje, qvartªfeira, vjgesºsegº dia do segº mez d este anno de MMVI
Labels: original
15.2.06
músculo fraco de dissimulada ação;
o mesmo facão que fere teu peito,
digo-te, efeito no meu não causa não.
então diga, qual lâmina é essa
que depressa corta e abre um vão
entre vontades & desejos, ardente,
rente ao juízo mas fundo ao coração?
amor qual é esse, à própria sorte atirado,
temperado com tempero de pouco sabor;
ao antepor outro amor, pois já enlevado,
desacertado então, o amor torna-se dor.
e soto sentimento, virado do avesso,
confesso e sabido torto desde orto,
porto inseguro do que tenho em apreço,
careço daquilo que não o faz natimorto.
asyno eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do Eire,
oje, quarta feira, quymzº dia do segº mez d este anno de MMVI
Labels: original
6.2.06
cajuína - caetano veloso
Existirmos: a que será que se destina?
Pois quando tu me deste a rosa pequenina
Vi que és um homem lindo e que se acaso a sina
Do menino infeliz não se nos ilumina
Tampouco turva-se a lágrima nordestina
Apenas a matéria vida era tão fina
E éramos olharmo-nos intacta retina
A cajuína cristalina em Teresina
2.2.06
ferreirame & cabralame
pessoalmente me chamie algo de pound.
haroldame e augustame, pois já ia eliotizar
pitgnatariamente os véus da música:
velosa, buarqua, antunas, nascimenta e gilada
barnabélica, paschoaliana, gismontiana
moraeseira, gilberteira, toquinhada,
na cartola da pixinga, bandolin, pandeiro & viola
ahora eh aghora...
asyno eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do Eire,
oje, qujmta feira, segº dia do segº mez d este anno de 2oo6
Labels: original
17.1.06
Josep D'Agustint
de avanzada edad
y navego solo
solo por necesidad.
necesidad de estar
en total tranquilidad
pero sinto lo pesar
de una otra necesidad.
necessitat de tener
alguien para acariciar
pero tras de açò afecte
restes diversa cosa qu'estimar.
i si amar solo no és possible
i tota possibilitat és plena
soy adoncs un amante eteri
en una eteridat terrena.
Josep D'Agustint
Labels: original
10.1.06
A Educação pela Pedra - João Cabral de Melo Neto
Para aprender da pedra, freqüentá-la;
Captar sua voz inenfática, impessoal
[pela de dicção ela começa as aulas].
A lição de moral, sua resistência fria
Ao que flui e a fluir, a ser maleada;
A de poética, sua carnadura concreta;
A de economia, seu adensar-se compacta:
Lições da pedra [de fora para dentro,
Cartilha muda], para quem soletrá-la.
Outra educação pela pedra: no Sertão
[de dentro para fora, e pré-didática].
No Sertão a pedra não sabe lecionar,
E se lecionasse, não ensinaria nada;
Lá não se aprende a pedra: lá a pedra,
Uma pedra de nascença, entranha a alma.
25.12.05
A Imperfeição é o Ápice - Yves Bonnefoy
tradução: eduardo miranda
Havia também aquele para qual a redenção era apenas um preço.
Arruinar a face nua que ganha o mármore,
Forjar toda a forma, toda a beleza.
Amar a perfeição por ser ela o limiar,
Mas negá-la ao conhecê-la, esquecê-la morta,
A imperfeição é o ápice. A imperfeição é o ápice.
* * *
L'imperfection est la cime - Yves Bonnefoy
Il y avait qu'il fallait détruire et détruire et détruire,
il y avait que le salut n'est qu'à ce prix.
Ruiner la face nue qui monte dans le marbre,
Materler toute forme toute beauté.
Aimer la perfection parce qu'elle est le seuil,
Mais la nier sitôt connue, l'oublier morte,
L'imperfection est la cime. L'imperfection est la cime.
Labels: tradução, translation
poe por pierce

Uma criação de Charles Sanders Pierce, à partir do poema O Corvo de Edgar Allan Poe. Confiram minha tradução de O Corvo)
já cedo veio
e de novo vem só,
só para me lembrar:
"Olha pra trás, olha!
e vê se te vês
a fazer coisas
que disseste que farias... "
<8¬]=
oh oh oh
merry christmas...
12-2oo5
Labels: original
23.12.05
DEZEMBRO
Em dezembro nascemos novamente,
depois de morrermos o ano todo.
É hora de procurarmos os velhos
enfeites esquecidos por toda casa.
Em dezembro nascemos prematuros,
árvores para armar, noéis para alegrar,
presentes e lembranças compradas no coração.
Tentamos lembrar de todos... Os que se foram...
Em dezembro nascemos iluminados,
cantando aquelas melodias natalenses
que despertarão os sentimentos de amor,
esperança e confraternização pelo próximo.
Em dezembro nascemos esquecendo
das coisas que não fizemos no ano,
buscando com isso olhar para frente,
como se o ano fosse apenas esse dezembro.
Em dezembro nascemos lembrando
que um novo ano já está chegando
e que sempre precisaremos melhorar
e sermos os melhores para nós e todos.
Labels: original
17.12.05
16.12.05
meu haiku japonês
aki fukaki aki
aki no kaze
proufunda e pesarosa
brisa de outono.
Labels: original
13.12.05
tabacaria
fernando pessoa [álvaro de campos]
Nunca serei nada.
Não posso querer ser nada.
À parte isso, tenho em mim todos os sonhos do mundo.
Janelas do meu quarto,
Do meu quarto de um dos milhões do mundo que ninguém sabe quem é
(E se soubessem quem é, o que saberiam?),
Dais para o mistério de uma rua cruzada constantemente por gente,
Para uma rua inacessível a todos os pensamentos,
Real, impossivelmente real, certa, desconhecidamente certa,
Com o mistério das coisas por baixo das pedras e dos seres,
Com a morte a pôr humidade nas paredes e cabelos brancos nos homens,
Com o Destino a conduzir a carroça de tudo pela estrada de nada.
Estou hoje vencido, como se soubesse a verdade.
Estou hoje lúcido, como se estivesse para morrer,
E não tivesse mais irmandade com as coisas
Senão uma despedida, tornando-se esta casa e este lado da rua
A fileira de carruagens de um comboio, e uma partida apitada
De dentro da minha cabeça,
E uma sacudidela dos meus nervos e um ranger de ossos na ida.
Estou hoje perplexo como quem pensou e achou e esqueceu.
Estou hoje dividido entre a lealdade que devo
À Tabacaria do outro lado da rua, como coisa real por fora,
E à sensação de que tudo é sonho, como coisa real por dentro.
Falhei em tudo.
Como não fiz propósito nenhum, talvez tudo fosse nada.
A aprendizagem que me deram,
Desci dela pela janela das traseiras da casa,
Fui até ao campo com grandes propósitos.
Mas lá encontrei só ervas e árvores,
E quando havia gente era igual à outra.
Saio da janela, sento-me numa cadeira. Em que hei-de pensar?
Que sei eu do que serei, eu que não sei o que sou?
Ser o que penso? Mas penso ser tanta coisa!
E há tantos que pensam ser a mesma coisa que não pode haver tantos!
Génio? Neste momento
Cem mil cérebros se concebem em sonho génios como eu,
E a história não marcará, quem sabe?, nem um,
Nem haverá senão estrume de tantas conquistas futuras.
Não, não creio em mim.
Em todos os manicómios há doidos malucos com tantas certezas!
Eu, que não tenho nenhuma certeza, sou mais certo ou menos certo?
Não, nem em mim...
Em quantas mansardas e não-mansardas do mundo
Não estão nesta hora génios-para-si-mesmos sonhando?
Quantas aspirações altas e nobres e lúcidas -
Sim, verdadeiramente altas e nobres e lúcidas -,
E quem sabe se realizáveis,
Nunca verão a luz do sol real nem acharão ouvidos de gente?
O mundo é para quem nasce para o conquistar
E não para quem sonha que pode conquistá-lo, ainda que tenha razão.
Tenho sonhado mais que o que Napoleão fez.
Tenho apertado ao peito hipotético mais humanidades do que Cristo,
Tenho feito filosofias em segredo que nenhum Kant escreveu.
Mas sou, e talvez serei sempre, o da mansarda,
Ainda que não more nela;
Serei sempre o que não nasceu para isso;
Serei sempre só o que tinha qualidades;
Serei sempre o que esperou que lhe abrissem a porta ao pé de uma parede sem porta
E cantou a cantiga do Infinito numa capoeira,
E ouviu a voz de Deus num poço tapado.
Crer em mim? Não, nem em nada.
Derrame-me a Natureza sobre a cabeça ardente
O seu sol, a sua chuva, o vento que me acha o cabelo,
E o resto que venha se vier, ou tiver que vir, ou não venha.
Escravos cardíacos das estrelas,
Conquistámos todo o mundo antes de nos levantar da cama;
Mas acordámos e ele é opaco,
Levantámo-nos e ele é alheio,
Saímos de casa e ele é a terra inteira,
Mais o sistema solar e a Via Láctea e o Indefinido.
(Come chocolates, pequena;
Come chocolates!
Olha que não há mais metafísica no mundo senão chocolates.
Olha que as religiões todas não ensinam mais que a confeitaria.
Come, pequena suja, come!
Pudesse eu comer chocolates com a mesma verdade com que comes!
Mas eu penso e, ao tirar o papel de prata, que é de folhas de estanho,
Deito tudo para o chão, como tenho deitado a vida.)
Mas ao menos fica da amargura do que nunca serei
A caligrafia rápida destes versos,
Pórtico partido para o Impossível.
Mas ao menos consagro a mim mesmo um desprezo sem lágrimas,
Nobre ao menos no gesto largo com que atiro
A roupa suja que sou, sem rol, pra o decurso das coisas,
E fico em casa sem camisa.
(Tu, que consolas, que não existes e por isso consolas,
Ou deusa grega, concebida como estátua que fosse viva,
Ou patrícia romana, impossivelmente nobre e nefasta,
Ou princesa de trovadores, gentilíssima e colorida,
Ou marquesa do século dezoito, decotada e longínqua,
Ou cocote célebre do tempo dos nossos pais,
Ou não sei quê moderno - não concebo bem o quê -,
Tudo isso, seja o que for, que sejas, se pode inspirar que inspire!
Meu coração é um balde despejado.
Como os que invocam espíritos invocam espíritos invoco
A mim mesmo e não encontro nada.
Chego à janela e vejo a rua com uma nitidez absoluta.
Vejo as lojas, vejo os passeios, vejo os carros que passam,
Vejo os entes vivos vestidos que se cruzam,
Vejo os cães que também existem,
E tudo isto me pesa como uma condenação ao degredo,
E tudo isto é estrangeiro, como tudo.)
Vivi, estudei, amei, e até cri,
E hoje não há mendigo que eu não inveje só por não ser eu.
Olho a cada um os andrajos e as chagas e a mentira,
E penso: talvez nunca vivesses nem estudasses nem amasses nem cresses
(Porque é possível fazer a realidade de tudo isso sem fazer nada disso);
Talvez tenhas existido apenas, como um lagarto a quem cortam o rabo
E que é rabo para aquém do lagarto remexidamente.
Fiz de mim o que não soube,
E o que podia fazer de mim não o fiz.
O dominó que vesti era errado.
Conheceram-me logo por quem não era e não desmenti, e perdi-me.
Quando quis tirar a máscara,
Estava pegada à cara.
Quando a tirei e me vi ao espelho,
Já tinha envelhecido.
Estava bêbado, já não sabia vestir o dominó que não tinha tirado.
Deitei fora a máscara e dormi no vestiário
Como um cão tolerado pela gerência
Por ser inofensivo
E vou escrever esta história para provar que sou sublime.
Essência musical dos meus versos inúteis,
Quem me dera encontrar-te como coisa que eu fizesse,
E não ficasse sempre defronte da Tabacaria de defronte,
Calcando aos pés a consciência de estar existindo,
Como um tapete em que um bêbado tropeça
Ou um capacho que os ciganos roubaram e não valia nada.
Mas o dono da Tabacaria chegou à porta e ficou à porta.
Olhou-o com o desconforto da cabeça mal voltada
E com o desconforto da alma mal-entendendo.
Ele morrerá e eu morrerei.
Ele deixará a tabuleta, e eu deixarei versos.
A certa altura morrerá a tabuleta também, e os versos também.
Depois de certa altura morrerá a rua onde esteve a tabuleta,
E a língua em que foram escritos os versos.
Morrerá depois o planeta girante em que tudo isto se deu.
Em outros satélites de outros sistemas qualquer coisa como gente
Continuará fazendo coisas como versos e vivendo por baixo de coisas como tabuletas,
Sempre uma coisa defronte da outra,
Sempre uma coisa tão inútil como a outra,
Sempre o impossível tão estúpido como o real,
Sempre o mistério do fundo tão certo como o sono de mistério da superfície,
Sempre isto ou sempre outra coisa ou nem uma coisa nem outra.
Mas um homem entrou na Tabacaria (para comprar tabaco?),
E a realidade plausível cai de repente em cima de mim.
Semiergo-me enérgico, convencido, humano,
E vou tencionar escrever estes versos em que digo o contrário.
Acendo um cigarro ao pensar em escrevê-los
E saboreio no cigarro a libertação de todos os pensamentos.
Sigo o fumo como uma rota própria,
E gozo, num momento sensitivo e competente,
A libertação de todas as especulações
E a consciência de que a metafísica é uma consequência de estar mal disposto.
Depois deito-me para trás na cadeira
E continuo fumando.
Enquanto o Destino mo conceder, continuarei fumando.
(Se eu casasse com a filha da minha lavadeira
Talvez fosse feliz.)
Visto isto, levanto-me da cadeira. Vou à janela.
O homem saiu da Tabacaria (metendo troco na algibeira das calças?).
Ah, conheço-o: é o Esteves sem metafísica.
(O dono da Tabacaria chegou à porta.)
Como por um instinto divino o Esteves voltou-se e viu-me.
Acenou-me adeus gritei-lhe Adeus ó Esteves!, e o universo
Reconstruiu-se-me sem ideal nem esperança, e o dono da Tabacaria sorriu.
12.12.05
No teu poema - José Luis Tinoco
Existe um verso em branco e sem medida
Um corpo que respira, um céu aberto
Janela debruçada para a vida
No teu poema
Existe a dor calada lá no fundo
O passo da coragem em casa escura
E aberta uma varanda para o mundo
Existe a noite
O riso e a voz refeita à luz do dia
A festa da Senhora d'Agonia e o cansaço
Do corpo que adormece em cama fria
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco a raiva e a luta
De quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte
No teu poema
Existe o grito e o eco da metralha
A dor que sei de cor mas não recito
E os sonos inquietos de quem fala
No teu poema
Existe um cantochão alentejano
A rua e o pregão de uma varina
E um barco assoprado a todo o pano
Existe um rio
O canto em vozes juntas, vezes certas
Canção de uma só letra e um só destino a embarcar
No cais da nova nau das descobertas
Existe um rio
A sina de quem nasce fraco ou forte
O risco a raiva e a luta
De quem cai ou que resiste
Que vence ou adormece antes da morte
No teu poema
Existe a esperança acesa atrás do mundo
Existe tudo mais que ainda me escapa
É um verso em branco à espera
Do futuro
10.12.05
dos poemas mediterráneos
dos
ballarinas
lo que me llevó
a pasear por los campos
fue mi incapacidad de bailar.
todos los juncos creídos
e invertidos u ostentados
no fueram bastant per a moverme
a través de mis inquietudes.
y se los campos son vastos y libres
d'altra banda la inquietud es estany,
on la possibilidad de aprendre a bailar
paira en el aire, incierta i malsegura
ja que observo la dansa de las ballarinas...
dos, poema
me acerco de mi y no me veo
ni mis ojos o mi pared
pero sí siento lo que me persigue:
la noche partida y sudorosa...
no lo sé si es pecado o prohibido
solo sé que busco el fondo... hondo,
profund.
josep d'agustint
Labels: original
para arnaldo xavier
*
r.oda a dor
i.nevitavelmente
p.ara sempre
Labels: original
9.12.05
poeminha do contra - mário quintana
tradução para o inglês: eduardo miranda
atravancando o meu caminho
eles passarão...
eu passarinho.
the contra little poem - mário quintana
all of those who may
forbid me to fly:
they will pass away
i'm passing by.
Labels: tradução, translation
8.12.05
o tigre - willian blake
tradução: eduardo miranda
queima em trevas teu soturno jogo
que mão imortal ou olho ousaria
forjar tua medonha simetria?
em que céu, abismo ou mar
ardeu o fogo do teu olhar?
em que asas o céu desbravou?
e que mãos o fogo dominou?
e que ombros ousaram, que arte,
afrontaram teu coração baluarte?
que ao começar a bater & a bater,
que pés? que mãos irão temer?
qual martelo? qual corrente?
em que fornalha forjaste a mente?
que bigorna? que morsa infinita
desafia tua mortalha maldita?
quando astros lançaram seus arpéus,
e inundaram de lágrimas os céus,
preocupou-se &le com o que edificou?
quem criou o cordeiro, também te criou?
tigre, tigre, intenso brilho & fogo
queima em trevas teu soturno jogo
que mão imortal ou olho ousaria
forjar tua medonha simetria?
* * *
The Tiger
Tiger! Tiger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Could frame thy fearful symmetry?
In what distant deeps or skies
Burnt the fire of thine eyes?
On what wings dare he aspire?
What the hand dare seize the fire?
And what shoulder, and what art,
Could twist the sinews of thy heart?
And when thy heart began to beat,
What dread hand? and what dread feet?
What the hammer? what the chain?
In what furnace was thy brain?
What the anvil? what dread grasp
Dare its deadly terrors clasp?
When the stars threw down their spears,
And watered heaven with their tears,
Did he smile his work to see?
Did he who made the Lamb make thee?
Tiger! Tiger! burning bright
In the forests of the night,
What immortal hand or eye
Dare frame thy fearful symmetry?
Labels: tradução, translation
o corvo - edgar allan poe
tradução: eduardo miranda
Certa meia-noite sombria, enquanto cansado lia e refletia
Sobre estranhos e curiosos volumes de doutrinas ancestrais
Cochilava, já quase adormecia, quando ouvi que alguém batia
Alguém batia, suavemente alguém batia em meus portais
“Um visitante”, resmunguei, batendo em meus portais —
Há de ser isso e nada mais.”
Ah, como eu me lembro, era um gélido e triste Dezembro,
E cada brasa moribunda que por dentro morria, forjava mil funerais
Excitado eu desejava o alvorar; futilmente busquei emprestar
Do meu livro cerrado de tanto penar — penar pela perda de Taís, —
Pela rara e radiante donzela a quem os anjos chamaram Taís —
Sem nome agora e jamais.
E a sedosa, sombria, serrazina batida de cada cortina
Aterrorizava-me com terrores nunca dantes visto iguais;
E meu coração inquieto ouvia de minha mente doentia:
“Um visitante querendo entrar em meus portais —
Algum visitante tardio querendo entrar em meus portais —;
Há de ser só isso, e nada mais.”
E minha alma de tal poder se formou que não mais hesitou,
“Senhor”, disse “ou Madame, meu perdão ofereço ademais,
Pois fato é que estava já adormecendo, e gentilmente alguém batendo,
Palidamente alguém batendo, batendo em meus portais,
Que o ouvi apenas vagamente” — e totalmente abri meus portais —
A escuridão encontrei, e nada mais.
A escuridão observando, estanque, a imaginação avoando, relutando
Duvidando, sonhando sonhos que mortal algum sonhou jamais;
Mas o silêncio era profundo, a calmaria de outro mundo
E a única palavra lá falada, sussurrada, foi a palavra, “Taís!”
Meu sussurro murmurou de volta o eco da palavra “Taís!”
Simplesmente isso, e nada mais.
E ao quarto voltava, minh’alma em chamas queimava,
Quando ouvi baterem, mais alto agora, novamente em meus portais.
Certamente, disse a mim mesmo, há algo com minha janela;
Certamente é isso, algo com a madeira ou com os vitrais –
Deixe meu coração se tranqüilizar na madeira e nos vitrais –
Há de ser o vento, e nada mais.”
Escancaro completamente meus portais, e de repente
Portenta ave, um corvo, adentra sei lá de que eras ancestrais.
Nenhuma reverência prestou, nem sequer um minuto hesitou;
Como se um nobre fosse, sem mais empoleirou-se em meus umbrais –
Empoleirado num busto de Pallas, justamente em meus umbrais –
Lá empoleirado, e nada mais.
E tal ave negra distrai-me por um instante de minha tristeza,
Pelo grave e áustero decoro que sustenta seus gestos rituais,
De crista bem aparada, disse-lhe ‘não és criatura acovardada,
Medonho e apavorante corvo, de lá das terras infernais –
Diga-me o nome de teu mestre, lá dos meios infernais!’
Grunhiu o corvo, ‘Nuncamais’
Muito me surpreendeu, pássaro raro que falasse tão claro
Embora fossem palavras de pouco sentido em discursos reais
Nenhum fulano ou beltrano, nenhum ser humano
Fora jamais abençoado com tal ave falante em seus umbrais –
Pássaro ou besta que seja, pousado em busto em seus umbrais,
Ainda mais chamado ‘Nuncamais’
Mas o corvo, que se sentava sobre o plácido busto, apenas falava,
Palavra única, como se sua alma fosse aquela palavra e nada mais.
Nada além ele pronunciou – nem mesmo uma só pena ele agitou –
Murmurei ‘Amigos vêm e vão em contínuos vens e vais –
Ao amanhecer ele partirá, como outrora minhas esperanças joviais.’
E o corvo disse, ‘Nuncamais.’
Aterrorizado por tão sábias palavras de sentido figurado
Disse, ‘Sem dúvida, são palavras fixas, decoradas, sempre iguais,
Aprendidas de algum infeliz, algum qualquer a quem o destino quis,
Que estas palavras fossem pronunciadas, todos os dias as mesmas tais
Compondo tenebroso estribilho, feito reza, todos os dias as mesmas tais
O sombrio Nunca-nuncamais
E o corvo ainda distraía-me de toda minha herdada tristeza,
E tranqüilamente sentado frente ao corvo e aos meus umbrais;
Quando então, afundado no veludo, passei, matuto,
A ligar os acontecimentos, e este agourento pássaro de lugares tais –
O quê este cruel, tosco, esquálido e agourento pássaro de lugares tais
Quer dizer ao grunhir ‘Nuncamais.’
E eu sentado, prevendo, mas nenhuma palavra dizendo
Para a tal ave, cujos olhos me queimavam com olhares fatais
Isso e mais, eu sentado prevendo, minha cabeça pendendo
Em travesseiros de veludo, sob a luz de candelabros penumbrais
De quem os travesseiros, sob os candelabros penumbrais,
Dela seriam, ah, nuncamais!
O ar ficou então mais denso, tomado por um forte incenso
Onde anjos foram chegando com seus passos angelicais.
‘Desgraçado’, gritei, ‘teu Deus te concedeu – pelos anjos te concedeu
A rendição – rendido e torpente das memórias de Taís
Bêbado, oh bêbado e entorpecido, esquecido de Taís’
Grunhiu o corvo, ‘Nuncamais’
‘Profeta!’ eu disse, ‘coisa do mal! – ainda profeta, pássaro infernal –
Se deliberadamente enviado, ou largado nestas praias funerais,
Ainda desolado, destemido, nesta desértica terra perdido –
Em meu lar aterrorizado, me diga a verdade, e nada mais –
Existe – existe paz no Perpétuo? A verdade e nada mais!’
Grunhiu o corvo, ‘Nuncamais’
‘Profeta!’ eu disse, ‘coisa do mal! – ainda profeta, pássaro infernal –
Por estes céus angelicais, por todos os deuses elementais
Diga a esta alma atormentada, se além do Éden faz morada
Uma bela donzela, a quem os anjos chamaram Taís –
Única e radiante donzela, a quem os anjos chamaram Taís?’
Grunhiu o corvo, ‘Nuncamais’
‘Seja esta palavra nosso adeus eterno, demônio ou ave do inferno,
Volta para a profundeza de tuas noites eternais!
E não deixe legado das heresias que tem falado!
Deixe-me cá só e abandonado! – saia já de meus umbrais!
Leve tua figura e todos os teus sinais pra longe de meus umbrais!’
Grunhiu o corvo, ‘Nuncamais’
E o corvo, parado, ainda empoleirado, e ainda empoleirado
Sobre o pálido busto de Pallas que está acima de meus umbrais;
Seu olhar demoníaco transparece sua presença refece,
E a luz projetada sobre ele escoa em sombra nos meus umbrais;
E minh’alma presa a esta sombra, ainda hoje em meus umbrais
Ascenderá – nuncamais!
* * *
The Raven
Once upon a midnight dreary, while I pondered, weak and weary,
Over many a quaint and curious volume of forgotten lore,
While I nodded, nearly napping, suddenly there came a tapping,
As of some one gently rapping, rapping at my chamber door.
"'Tis some visitor," I muttered, "tapping at my chamber door-
Only this, and nothing more."
Ah, distinctly I remember it was in the bleak December,
And each separate dying ember wrought its ghost upon the floor.
Eagerly I wished the morrow;- vainly I had sought to borrow
From my books surcease of sorrow- sorrow for the lost Lenore-
For the rare and radiant maiden whom the angels name Lenore-
Nameless here for evermore.
And the silken sad uncertain rustling of each purple curtain
Thrilled me- filled me with fantastic terrors never felt before;
So that now, to still the beating of my heart, I stood repeating,
"'Tis some visitor entreating entrance at my chamber door-
Some late visitor entreating entrance at my chamber door;-
This it is, and nothing more."
Presently my soul grew stronger; hesitating then no longer,
"Sir," said I, "or Madam, truly your forgiveness I implore;
But the fact is I was napping, and so gently you came rapping,
And so faintly you came tapping, tapping at my chamber door,
That I scarce was sure I heard you"- here I opened wide the door;-
Darkness there, and nothing more.
Deep into that darkness peering, long I stood there wondering,
fearing,
Doubting, dreaming dreams no mortals ever dared to dream before;
But the silence was unbroken, and the stillness gave no token,
And the only word there spoken was the whispered word, "Lenore!"
This I whispered, and an echo murmured back the word, "Lenore!"-
Merely this, and nothing more.
Back into the chamber turning, all my soul within me burning,
Soon again I heard a tapping somewhat louder than before.
"Surely," said I, "surely that is something at my window lattice:
Let me see, then, what thereat is, and this mystery explore-
Let my heart be still a moment and this mystery explore;-
'Tis the wind and nothing more."
Open here I flung the shutter, when, with many a flirt and
flutter,
In there stepped a stately raven of the saintly days of yore;
Not the least obeisance made he; not a minute stopped or stayed
he;
But, with mien of lord or lady, perched above my chamber door-
Perched upon a bust of Pallas just above my chamber door-
Perched, and sat, and nothing more.
Then this ebony bird beguiling my sad fancy into smiling,
By the grave and stern decorum of the countenance it wore.
"Though thy crest be shorn and shaven, thou," I said, "art sure no
craven,
Ghastly grim and ancient raven wandering from the Nightly shore-
Tell me what thy lordly name is on the Night's Plutonian shore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."
Much I marvelled this ungainly fowl to hear discourse so plainly,
Though its answer little meaning- little relevancy bore;
For we cannot help agreeing that no living human being
Ever yet was blest with seeing bird above his chamber door-
Bird or beast upon the sculptured bust above his chamber door,
With such name as "Nevermore."
But the raven, sitting lonely on the placid bust, spoke only
That one word, as if his soul in that one word he did outpour.
Nothing further then he uttered- not a feather then he fluttered-
Till I scarcely more than muttered, "other friends have flown
before-
On the morrow he will leave me, as my hopes have flown before."
Then the bird said, "Nevermore."
Startled at the stillness broken by reply so aptly spoken,
"Doubtless," said I, "what it utters is its only stock and store,
Caught from some unhappy master whom unmerciful Disaster
Followed fast and followed faster till his songs one burden bore-
Till the dirges of his Hope that melancholy burden bore
Of 'Never- nevermore'."
But the Raven still beguiling all my fancy into smiling,
Straight I wheeled a cushioned seat in front of bird, and bust and
door;
Then upon the velvet sinking, I betook myself to linking
Fancy unto fancy, thinking what this ominous bird of yore-
What this grim, ungainly, ghastly, gaunt and ominous bird of yore
Meant in croaking "Nevermore."
This I sat engaged in guessing, but no syllable expressing
To the fowl whose fiery eyes now burned into my bosom's core;
This and more I sat divining, with my head at ease reclining
On the cushion's velvet lining that the lamplight gloated o'er,
But whose velvet violet lining with the lamplight gloating o'er,
She shall press, ah, nevermore!
Then methought the air grew denser, perfumed from an unseen censer
Swung by Seraphim whose footfalls tinkled on the tufted floor.
"Wretch," I cried, "thy God hath lent thee- by these angels he
hath sent thee
Respite- respite and nepenthe, from thy memories of Lenore!
Quaff, oh quaff this kind nepenthe and forget this lost Lenore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."
"Prophet!" said I, "thing of evil!- prophet still, if bird or
devil!-
Whether Tempter sent, or whether tempest tossed thee here ashore,
Desolate yet all undaunted, on this desert land enchanted-
On this home by horror haunted- tell me truly, I implore-
Is there- is there balm in Gilead?- tell me- tell me, I implore!"
Quoth the Raven, "Nevermore."
"Prophet!" said I, "thing of evil- prophet still, if bird or
devil!
By that Heaven that bends above us- by that God we both adore-
Tell this soul with sorrow laden if, within the distant Aidenn,
It shall clasp a sainted maiden whom the angels name Lenore-
Clasp a rare and radiant maiden whom the angels name Lenore."
Quoth the Raven, "Nevermore."
"Be that word our sign in parting, bird or fiend," I shrieked,
upstarting-
"Get thee back into the tempest and the Night's Plutonian shore!
Leave no black plume as a token of that lie thy soul hath spoken!
Leave my loneliness unbroken!- quit the bust above my door!
Take thy beak from out my heart, and take thy form from off my
door!"
Quoth the Raven, "Nevermore."
And the Raven, never flitting, still is sitting, still is sitting
On the pallid bust of Pallas just above my chamber door;
And his eyes have all the seeming of a demon's that is dreaming,
And the lamplight o'er him streaming throws his shadow on the
floor;
And my soul from out that shadow that lies floating on the floor
Shall be lifted- nevermore!
Labels: tradução, translation
caveira - cruz e souza
Olhos que foram olhos, dois buracos
Agora, fundos, no ondular da poeira...
Nem negros, nem azuis e nem opacos
Caveira!
II
Nariz de linhas, correções audazes,
De expressão aquilina e feiticeira,
Onde os olfatos virginais, falazes?!
Caveira! Caveira!!
III
Boca de dentes límpidos e finos,
De curva leve, original, ligeira,
Que é feito dos teus risos cristalinos!?
Caveira! Caveira!! Caveira!!!
(Caveira de Cruz e Souza in Faróis)








