19.5.17

Wellfish

You know when you go from here to there, looking everywhere, and you can't find what you're looking for, and this just keep you looking more, and more, and more...
down in the streets, in the trash bins
among mongers and beggars
what dignity means?
it's all you care once you got there
you need more, and more, and more...
that's your wish, and you can't resist...

Wellfish!

Only a dream

You may wake one day
In the other side of the line
Then you might ask, is this day
The day when you have died?

Only a dream, a dream
would death be only a dream?

You didn't redeem your sins
Everything was so fast
What does it really mean?
You didn't care to ask

Only a dream, a dream
is death only a dream?

Now you stand before the light
So bright, what does it mean?
Have you awaken from the night?
Is this a new cycle to begin?

Only a dream, a dream
life was just a dream.

8.5.16

The Legend of The Ancient Druid Cemetery

and its cursed bones


And there he goes, and there he goes,
No turn around there where he goes.
Tiptoeing slowly to make no sound,
Even tiptoeing he felt in the ground
He stepped into something hard and dull
A whitened bone head shaped, a skull.
There were human bones spread all around
Among half-dug holes and tombstones,
What he was looking for he has found:
The Ancient Druid Cemetery and its cursed bones!


Jumping the tombs he walks through the bones
Gently not to break any nor the dead to disturb,
He carries a bag, I might have forgotten to say
Which makes his hard task even harder,
A corpse of a beloved one who passed away
Whom he aims to bring back from outer border
The corpse he carries, Eleonor is her name
Engaged they were, and about to get married,
All that he feels is sadness and regret
Eleonor he wants returned from the death,
And for that to happen he needs to bury
To bury Eleonor under the grounds and stones
of The Ancient Druid Cemetery and its cursed bones!


The tragic event that came to happen that night
When Jack had been drinking just a bit off his mark
He got home but she couldn't shut up, the bride,
So Jack had to hit her, but maybe he did too hard,
So he hit her again, to make sure she got it right:
“I'm sorry babe, as you, I also feel the pain,
But who's the boss, to myself I have to prove”
And he hit her again, till she could not move.
Now that she's gone he wants her back and well,
And the only way to do it, is to follow an old spell
About an ancient Druid cemetery, which says if you bury
A deceased beloved on the grounds of this cemetery
On the third day of the passing, no matter how depth
The tomb, they would return back from the death
from The Ancient Druid Cemetery and its cursed bones!


And so Jack did, he dug and dug a tomb for his beloved
On the grounds of the cemetery, wasting no more time
He was so anxious to have his beloved to him returned
So anxious to finish it quickly and then cover his crime
So he dug, the deepest she's buried the better she comes
He dug and buried her amid many others, amid other bones
He returned home to wait three days and three nights of endless time
He patiently waited three days and nights, as the legend was known
The Ancient Druid Cemetery and its cursed bones!


Three days and nights have passed, he'll finally remeet Eleonor
It was late night, darkness hours, when someone knocked his door
“Must be Eleonor”, he demands, “Eleonor has returned from her death!”
He opens the door hoping to see Eleonor and revive the first day they've met
Eleonor was standing at his door: but she had no colour, no blood, no breath!
Shocked by the presence, he didn't notice when she got in on her zombie steps
And she seated in the only chair in the room, her dead eyes looking to nowhere
He said, “Eleonor, you're back! Breath, my love, you need some fresh air!”
But breathless Eleonor seated on the chair, staring who knows what, who'd dare.
Suddenly she broke the silence with a grotesque sound, not a voice, but a blare,
She said: “I'm waiting you to come”, then starring at him, “I'll wait for you in this chair”
And there she seats, day after day, night after night, waiting the day Jack would die,
So she will put his corpse in a bag and walk with it, singing a known wicked moan,
to The Ancient Druid Cemetery and its cursed bones!

17.6.15

A Gostosa do Jaleco


Todo dia, 12:15, como um relógio. Ela saia para o almoço junto com outras colegas de trabalho - todas de jaleco. Desfilava confiante, exuberante, decidida, exibida, certa de sua gostosura, que o jaleco disfarçava levemente, ora cobrindo, ora mostrando. Um golpe de vento aqui e o jaleco dá uma subidinha; outro golpe de vento ali e o jaleco se amontoa para o lado. Cada movimento parece revelar uma curva diferente do seu corpo. Eu me espremo naquele boteco nojento onde ela come o PF do dia - não deve ser médica pra comer estas porcarias! - e faço hora com um café melado e requentado, às vezes dois, até três, se ela se perde nas conversas, sempre desinteressantes, sobre sangue, urina, secreções e excrementos.



Ouvi no rádio que os médicos, enfermeiros e profissionais de saúde estão proibidos de usar jaleco fora do ambiente de trabalho, e que quem desrespeitasse estaria sujeito à multa, que dobraria em caso de reincidência... Disseram que o objetivo era impedir que os jalecos servissem de fonte e veículo de transmissão de micro-organismos. Um blá, blá, blá que para mim não importava nem um pouco... Mas o que seria da gostosa do jaleco?

Nunca mais fui ao boteco.

25.4.15

10 anos

Swirling lovers 1 ~ ogle12
fisicamente longe dela
     - ela partiu de repente
abstinente de sí e de mim
num zepelim sem prumo
rumo àquele país estranho.

antanho foi a mesma sorte
parte ela antes da hora
embora amiúde nada mude.
alude-me em um email -
     galanteio eficiente -
e novamente me apaixono.

tento ligar, não consigo
exaurido caio na poltrona
dona insônia e sr. desconforto
me absorto meio desvalido
desiludido por entender tudo isso

eriço da ânsia de estar ao lado dela
que protela o tempo-pouco em tempo-muito
fortuito contratempo abismal

e nessa multidão sozinho
     resquardo-me em meu ninho
          disfarçado de normal
            .
          às vezes levanto a cabeça
     e antes que alguém apareça
respondo: tudo bom, nada vou mal.

Bodas de Estanho ou Zinco

Spectacles, Attributed to E. G. Washburne & Co.,
New York, New York, 1875-1900,
Painted white metal
(probably an alloy of zinc, lead, and tin)
Estanho.
metálico
branco-azulado & lustroso
em forma de cristais tetragonais,
        maleável
                dúctil
ou cubo acinzentado
        alotrópico
                pulverulento

Mas calmo mar, caudaloso sempre.

*

Zinco.
metálico
branco-azulado & cristalino
fraco & dútil quando puro
quebradiço quando ordinário
abunda em minerais
        zincita
                vilemita

Metabolizador de plantas & animais

*

Boda.
festa
para celebrar casamentos
se de brilhante
        se de coral
                se de cristal
também de diamante
        esmeralda
                estanho ou zinco.

estanho ou zinco
estanhou zinco
estanhuzinco
...
..
.

22.1.15

pedro, o ex-poeta

image by violscraper
desiste não pedro
essa luta é injusta
         (mas a poesia vale)
altos tombos, e sofridos
         (mas a poesia cura)
papel branco e cabeça vazia
         (mas a poesia volta)
o contador mostra nenhuma visita
         (mas a poesia é tua)

fosse eu, tiraria data e hora
arenques defumado a reiterar
a ilusão de que o tempo existe...
ora pois, já é hora de saberem: existe não!
nós, que acreditamos na força da palavra, sabemos
que o tempo é apenas um subterfúgio poético,
e que a distinção entre passado, presente e futuro
não passa de ilusão... embora teimosamente persistente.

12.11.14

Saudades de Nápoles ~ Bertha Worms
de olhos bem fechados
e mente enebriada
deixo-me entrar, por acaso
nessa melodia de transcedência

sinto-me criança ainda
acolhido pela mãe:
o lugar mais seguro do mundo
de todos os tempos
passados e futuros

só essa distância
dos que me são caros
mais esta imensidade que sinto -
maior que tudo
- não são o bastante
para conterem as lágrimas
no coração
apenas.

e essa vontade imensa
de estar lá...

12.5.14

Foi esse o sonho...

Ishtar, with her cult-animal the lion, and a worshipper
Modern impression from a cylinder seal, c. 2300 BC
In the Oriental Institute, University of Chicago
Uma mulher me falava que meu pai e minha mãe tinham sofrido um acidente. Era em Dublin, tenho quase certeza. Eu a interrogava “Onde eles estão?” e ela dispersava, “Ah, estão ali...” “Onde?”, gritava desesperado, “Ali...” e apontava displicentemente para um beco escuro, e alertava: “Mas se eu fosse você eu não iria lá...”.

Claro que eu fui.

Entro no beco e encontro minha mãe caída, desacordada, e meu pai cambaleante, tentando levantá-la. Num instante - num daqueles instantes de sonho que transgridem todas as leis da física - estávamos todos no saguão de um hospital: lembro-me bem de pai, Alê e Teresa. Tem mais gente mas não me lembro quem são, ou não vejo seus rostos. Todos estavam bem calmos, esperando não sei o quê. Eu só queria chegar ao quarto de minha mãe.

Peço informação. Era o quarto número 9, mas disseram que eu não saberia chegar lá... Mostraram-me o mapa do hospital, que parecia o James Connolly, lá de Blanchardstown, em Dublin, mas as imediações tinha a representação urbana de Barcelona, na Espanha.

Chamei Teresa para dar uma olhada no mapa, na esperança de que ela conhecesse o caminho, mas ela estava distraída... Peguei o mapa e disse “Deixa que eu me viro.” Chamei Alê para ir comigo. Ele veio, mas no caminho nos perdemos um do outro. Pedi informação para um enfermeiro-estudante - era um hospital universitário. Ele pegou o mapa, olhou, coçou a cabeça, chamou outro colega, “Não é aquele lugar onde não se pode dormir à noite?”, “Sim, lá não se dorme...”. “Tudo bem”, disse, "eu só quero chegar lá!".

O enfermeiro-estudante me conduziu, correndo um pequeno trote, entre portas e corredores. Um verdadeiro labirinto, e conforme nos emaranhávamos hospital adentro, suas alas ganhavam um aspecto de abandono, de desolamento.

Chegamos ao lugar. O enfermeiro sumiu - mais uma daquelas distorções das leis da física. A porta do quarto número 9 ficava numa parede, e parecia uma gaveta. Confuso, abro a tal porta e vejo o corpo de minha mãe. Embora ela estivesse bonita, não aguento a imagem e despenco em prantos. Retoricamente me pergunto "Por que não me avisaram antes?", já que eu tinha a impressão de que todos sabiam, menos eu.

Acordo... e me concentro em entender o sonho. O número 9.

Para quem acredita em numerologia, o 9 encerra um ciclo natural, a morte de um ciclo e as portas para o início de outro. Pode ser interpretado como o fim das ilusões ou como um recomeço.

Eu, que sou e sempre fui cético para estas coisas, acabo dando ouvido mais pela mitologia, como fenômeno popular de transformação e sua capacidade de conectar diferentes culturas através de histórias, geralmente baseadas em tradições e lendas feitas para explicar os fenômenos naturais, a criação do mundo, o universo ou qualquer outra coisa além da simples compreensão.

Nessa linha, tem um mito bem descritivo da essência do número 9: o Mito da Descida de Ishtar ao submundo. Ishtar, deusa suméria da fertilidade, do amor, da guerra e do sexo, desce ao submundo através de uma imensa caverna vertical e conforme avança os sete portões do inferno, um guardião retira uma peça de seu vestuário real. Quando chega ao fundo do poço, Ishtar está totalmente nua, despojada de suas armas e atributos reais, de seus símbolos de status e de realeza. Voltou ao seu estado original. Quando consegue voltar, ela está modificada - pode-se dizer que morreu e renasceu.

Está aí uma boa explicação para o meu número 9...