2.11.12

senão de perda, de ...


É de perda, esse Natal
e igual já vi, em dezembro de 88
afoito, em minha juventude
amiúde ocupado com coisas menores
dores só de amores, embora perdas fossem,
nem de perto como as perdas
da vida inteira - dormia minha avó,
agora para sempre, enquanto minha mãe
se despencava por dentro e por fora...

agora entendo a perda da vida inteira.

29.5.12

Ciao Souza

Da direita, Souza, Roni e eu.
12 de Agosto de 1954 - 28 de Maio de 2012
Falei da passagem lá em TUDA. Aliás foi em TUDA que publiquei muita coisa inédita de Souzalopes. Creio que as últimas coisas, antes de seu afastamento (?) dos (alguns) amigos. Motivos deve ter tido... sabeselá!

Meu caro Souza, que a terra lhe seja leve, companheiro!


Soulopiana

pessonha boa pessonha
pessonha do peito pessonha
eu não falo do verbo peçonha
peçonha que falo pessonha
é peçoa pessonha que peçonha
peçonha do peito peçonha
peçonha boa peçonha
pessonha que bem peçonha
peçonha pessoña e pessonha
mais que qualquer peçoa
como já dizia o poeta
sepolazuos in letras invertidas:
peçonha carcome pessoa

2.5.12

Coming Back Home

... cheguei sim, sem mesmo saber ao certo
de onde, nem mesmo pra onde havia ido -
ido ou partido? pois partido já ando, há muito,
em migalhas, pequenos pedaços de vidas -
não lheias, alheias - que não escolhi, herdei
só herdei. e como todo homem que herda,
quando herda, herda com a honra dos homens
mesmo sabendo do risco de se perder no caminho...

Como já dizia José Américo de Almeida:
"Rejubila-me a alma repatriada. A memória pode falhar, mas no coração não há nada esquecido. Volto. Voltar é uma forma de renascer. Ninguém se perde na volta".

9.3.12

Breves São os Anos

(c) Laura Lulli
No breve número de doze meses
O ano passa, e breves são os anos,
Poucos a vida dura.
Que são doze ou sessenta na floresta
Dos números, e quanto pouco falta
Para o fim do futuro!
Dois terços já, tão rápido, do curso
Que me é imposto correr descendo, passo.
Apresso, e breve acabo.
Dado em declive deixo, e invito apresso
O moribundo passo.

Ricardo Reis, in "Odes"
Heterônimo de Fernando Pessoa

22.2.12

22022012


pois é, edu, chegou aquele dia again,
importante pra você & outra meia-dúzia-e-meia, mais quem?
nadalém dum ou outro, farinhas do mesmo saco, gemas do mesmo ovo,
mas o importante mesmo é que estás aqui, cá estás de novo!
a contar anos-círios, que se iluminadaos ou não nem importa tanto,
tanto que já perdeste a conta, e assim nem te dás conta
da rima pobre que acabaste de cometer - que fazer?
babalorixá agora de bastão passado - embora assumido, não herdado,
finalmente nasceste noutrem de nome joão... ah joão,
mais vivo que tú, mais nobre que um cão, tua chance de continuação
tampouco mais ou menos torto, não faz diferença...
desde nascença já te pertence, no balanço correto, quem dera,
sem eira nem beira, até parar a contagem - é tudo cabeça -
diferente de tú, esmo esborro, fidalgo incrédulo,
valgo dalgo danado de errado ou de bom, que não aprenderá jamais,
& entorta & sufoca & inibe & abafa todo discurso tosco,
só mais uma vez, para sempre só mais uma vez...
aí vais de novo & novamente, solitário-nauta,
na mesma busca desafreada, por entre os futuros hontems e os passados ojes
em todos os lugarem que possam existir, mesmo nas imundas fossas,
mesmo em todos os apegos, todas (de)formações: todamágoa, todorancor, todaraiva,
- aquela mesma que nos mata em cada dia dos nossos dias -
também lá não estão: a paz & a harmonia que procuras são únicas
e não vais achá-la assim tão fácil não, ah não vais não...
nem nas mais altas colunas da ordem e da desordem,
nem nas melhores barganhas entre a vida e a morte,
muito menos nos mais altos aléms dos tudos que te possam oferecer.

parabéns pra você.

assyno eduardo miranda,
d este porto seguro da jlha do Eire,
oje, qvartªfeira, vjgesºsegº dia do segº mez d este anno de MMXII