12.7.08

- sem título -


uma tristeza imensa,
e um cansaço de tudo
que poderia deitar-me
sobre todas as coisas e esquecê-las
- desamores, injustiças, desrespeitos.

fechar os olhos e entregar-me, suavemente,
a uma inerte e sonolenta solidariedade...


asyno eduardo miranda
deste porto seguro d'jlha d'Eire,
oje, sabbato, dezº segº dia do septº mez d este anno Dommini de MMVIII

11.7.08

Let's Get Lost - Lyrics

Let’s get lost, lost in each other’s arms
Let’s get lost, let them send out alarms
And though they’ll think us rather rude
Let’s tell the world we’re in that crazy mood.
Let’s defrost in a romantic mist
Let’s get crossed off everybody’s list
To celebrate this night we found each other, mmm, let’s get lost

[horn solo] [piano solo]

Let’s defrost in a romantic mist
Let’s get crossed off everybody’s list
To celebrate this night we found each other, mm, let’s get lost
oh oh, let’s get lost

26.6.08

how can you mend a broken heart

Bee Gees


I can think of younger days when living for my life
Was everything a man could want to do.
I could never see tomorrow, but I was never told about the sorrow.

And how can you mend a broken heart?
How can you stop the rain from falling down?
How can you stop the sun from shining?
What makes the world go round?
How can you mend a this broken man?
How can a loser ever win?
Please help me mend my broken heart and let me live again.

I can still feel the breeze that rustles through the trees
And misty memories of days gone by
We could never see tomorrow, noone said a word about the sorrow.

And how can you mend a broken heart?
How can you stop the rain from falling down?
How can you stop the sun from shining?
What makes the world go round?
How can you mend this broken man?
How can a loser ever win?
Please help me mend my broken heart and let me live again.

19.5.08

comida - titãs


Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...

A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...

A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...

Bebida é água!
Comida é pasto!
Você tem sede de que?
Você tem fome de que?...

A gente não quer só comida
A gente quer comida
Diversão e arte
A gente não quer só comida
A gente quer saída
Para qualquer parte...

A gente não quer só comida
A gente quer bebida
Diversão, balé
A gente não quer só comida
A gente quer a vida
Como a vida quer...

A gente não quer só comer
A gente quer comer
E quer fazer amor
A gente não quer só comer
A gente quer prazer
Prá aliviar a dor...

A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer dinheiro
E felicidade
A gente não quer
Só dinheiro
A gente quer inteiro
E não pela metade...

Diversão e arte
Para qualquer parte
Diversão, balé
Como a vida quer
Desejo, necessidade, vontade
Necessidade, desejo, eh!
Necessidade, vontade, eh!
Necessidade...

22.2.08

22022008


ao norte do núcleo oco do mundo
eu-mudo-contínuo grito solidão.

do sulco púrpuro não-raso não-fundo
não-puro não-imundo corto coração.

mas não há de ser nada não, afinal,
cada qual com a sua própria mesura.
pior que sangrar é sangrar em vão,
já que na sangria ganha-se a cura.

(pura retórica - não passa de palavras,
embora educadas pela pedra, lavra-lavra
pois chamie-me do que bem deixa-vier...
meus campos pignatários hão de florescer)

amanhece diferente este dia, como sempre
eventualmente o primeiro dia do meu ano.
no fundo eu só queria um sonho não-americano
que me desse um sabor de vida & arte...

mas o porta-estandarte do meu próximo amanhã -
o tempo - se achega me trazendo um ramalhete.
no cartão, apenas os dizeres "parabéns para mim"

asyno eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do Eire,
oje, sestª-feira, vjgesº segº dia do segº mez d este anno Dommini de MMVIII

18.2.08

Canto para Minha Morte


Composição de Raul Seixas e Paulo Coelho, quando ele ainda não era bestiséler

Eu sei que determinada rua que eu já passei
Não tornará a ouvir o som dos meus passos.
Tem uma revista que eu guardo há muitos anos
E que nunca mais eu vou abrir.
Cada vez que eu me despeço de uma pessoa
Pode ser que essa pessoa esteja me vendo pela última vez
A morte, surda, caminha ao meu lado
E eu não sei em que esquina ela vai me beijar

Com que rosto ela virá?
Será que ela vai deixar eu acabar o que eu tenho que fazer?
Ou será que ela vai me pegar no meio do copo de uísque?
Na música que eu deixei para compor amanhã?
Será que ela vai esperar eu apagar o cigarro no cinzeiro?
Virá antes de eu encontrar a mulher, a mulher que me foi destinada,
E que está em algum lugar me esperando
Embora eu ainda não a conheça?

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho
Que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

Qual será a forma da minha morte?
Uma das tantas coisas que eu não escolhi na vida.
Existem tantas... Um acidente de carro.
O coração que se recusa abater no próximo minuto,
A anestesia mal aplicada,
A vida mal vivida, a ferida mal curada, a dor já envelhecida
O câncer já espalhado e ainda escondido, ou até, quem sabe,
Um escorregão idiota, num dia de sol, a cabeça no meio-fio...

Oh morte, tu que és tão forte,
Que matas o gato, o rato e o homem.
Vista-se com a tua mais bela roupa quando vieres me buscar
Que meu corpo seja cremado e que minhas cinzas alimentem a erva
E que a erva alimente outro homem como eu
Porque eu continuarei neste homem,
Nos meus filhos, na palavra rude
Que eu disse para alguém que não gostava
E até no uísque que eu não terminei de beber aquela noite...

Vou te encontrar vestida de cetim,
Pois em qualquer lugar esperas só por mim
E no teu beijo provar o gosto estranho que eu quero e não desejo,mas tenho que encontrar
Vem, mas demore a chegar.
Eu te detesto e amo morte, morte, morte
Que talvez seja o segredo desta vida
Morte, morte, morte que talvez seja o segredo desta vida

14.2.08

Directly From My Heart To You

Lyrics by Frank Zappa

(R. W. Penniman)

Direct
Directly from my heart to you
Direct
Directly from my heart to you
Oh, you know that I love you
That's why I feel so blue

Oh, I pray
Our love would last away
I pray
That our love would last away
Yeah, we'd be so happy together
But you're so far away

Well, I need
(Oh, baby, need you baby)
I need you by my side
Well, I need
Yes, I need you by my side
Oh, I'd loved you little darlin'
Your love I could never hide

My Funny Valentine

Música: Richard Rodgers.
Letra: Lorenz Hart.


My funny Valentine
Sweet comic Valentine
You make me smile with my heart
Your looks are laughable
Unphotographable
Yet you're my favourite work of art

Is your figure less than Greek
Is your mouth a little weak
When you open it to speak
Are you smart?

But don't change a hair for me
Not if you care for me
Stay little Valentine stay
Each day is Valentine's day

Is your figure less than Greek
Is your mouth a little weak
When you open it to speak
Are you smart?

But don't you change one hair for me
Not if you care for me
Stay little Valentine stay

7.2.08

velho, mas atualíssimo...

que minha mão não trema
perante os traidores que me deram o veneno
que sai pela boca feito pecado
que vai pela boca mesmo não querendo

snifarei a louca,
bêbado de orgulho, irado de fraqueza
querendo parar a vida num momento,
geometrizando belezas.

tudo me enoja!
não preciso de estantes vazias
preciso sim, cabeça fria
pés firmes,
mãos livres,
olhos abertos...

Permanecer vivo, até o fim,
intocável, incomunicável,
irrespirável, indecifrável,
embalos ateus, adeus:

deus agora e sem, ilumina.


asynado eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do Eire,
n algum dia, d algum mez, d aquelle anno de MXMLXXXVIII

9.1.08

cão & bode


Tú, cão & tú.
cão negro não preto
guia da noite da morte
companheiro do dia da vida - desmedida!
desmesura-te e arrasta-te
manda pra berlinda a vida
deste homem-de-bem - e olhai
atentamente as almas que te rodeiam
pois saibas que sofrerás a fome,
que enquanto és vivo, celebras tú
e quando morreres celebrará tua alma.

Tú, bode & tú.
bode branco não branco
um para o dia da vida
outro para a noite da morte - consorte!
anorteia-te e afasta-te
arrasta pro nunca a vice-morte
deste homem-de-mal - diácono nefasto
afasta-o pra onde a palavra não fecunda -
imunda alma carregada com o pecado do teu povo,
bodoso banido do céu divino a errar pelas bouças:
pouca morte terás para a tua eterna ode.

bode-expiatório não dorme de touca.

asyno eduardo miranda
deste porto seguro d' jlha d' Eire,
oje, qvartª feira, nonº dija d prijmº mez deeste Anno-Domijnij d MMVIII .

1.1.08

four translations

Trabalho preparado para uma revista literária de Dublin, onde traduzi 4 poemas do português para o inglês".


FERNANDO PESSOA – AUTOPSYCHOGRAPHY
This Pessoa’s poem is marked by the forgery of the feelings – the art of misrepresentation. Autopsychography derives from Portuguese word “Psicografia” (Psychography), which derives from the Greek, meaning ‘writing from the mind or soul of a medium, words suggested by a spirit or entity’.

Autopsychography

The poet is a mere dissimulator
His dissimulation seems so real
That he dissimulates to be dolor
The dolor which he can really feel.

And those who read his writes,
In the pain chore feels well,
Not both the pains he delights,
But the one which no one tells.

Thus in the gutters of the funny wheel,
Spin, spin, to put my mind apart
This convoy of hope made of steel
This convoy of rope called heart.

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.
Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.



MÁRIO QUINTANA – THE CONTRA’S LITTLE POEM
In this poem, Quintana uses a homograph – “passarão” – the future sentence of the verb “to pass”, which can be interpreted as “death”, but also means “big bird”, although this meaning is out-of-context till the next verse, where Quintana uses the word “passarinho” – meaning “little bird” – which echoes with “passarão”, bringing up its second meaning.

The Contra’s Little Poem

All of those who may
Forbid me to fly:
They will pass away
I'm passing by.

Poeminha do Contra

Todos esses que aí estão
Atravancando o meu caminho
Eles passarão...
Eu passarinho.



CRUZ & SOUZA – SKULL
The leading figure of the Symbolist movement in Brazil, Cruz e Sousa was the son of freed slaves. His poetry weds the technical principles of French Symbolism to themes drawn from his social concerns and his own personal suffering. This poem describes a skull, emphasizing that we are all the same, and the Death takes us all, either white or black.

Skull

I
Eyes which were eyes, two holes
Neither green nor blue, cold and dull...
Two dark eyeholes in a deep stroll
Skull!

II
Nose of delicate feature, insolent,
Shaped not to be lenient but cruel.
What's been done of the sweet scent?
Skull! Skull!!

III
Mouth of white teeth and lips
Kindly rounded, almost dull.
Where the smile, the laugh, the quips?
Skull! Skull!! Skull!!!

Caveira

I
Olhos que foram olhos, dois buracos
Agora, fundos, no ondular da poeira...
Nem negros, nem azuis e nem opacos
Caveira!

II
Nariz de linhas, correções audazes,
De expressão aquilina e feiticeira,
Onde os olfatos virginais, falazes?!
Caveira! Caveira!!

III
Boca de dentes límpidos e finos,
De curva leve, original, ligeira,
Que é feito dos teus risos cristalinos!?
Caveira! Caveira!! Caveira!!!



JOÃO CABRAL DE MELO NETO – from Death & Life Severina
"Morte e Vida Severina" (partially translated by Elizabeth Bishop as "Death and Life of a Severino", but for aesthetic reasons I think "Death & Life Severina" works better) is Cabral's most famous work, a very long narrative poem. The part I took here became a song sang by Chico Buarque de Hollanda, and describes the life of a poor country man in the dry northeastern part of Brazil, dreaming about have his own land.

from Death & Life Severina

The grave you are,
measured by strife
is the smallest share
you've got in life.

Neither wide nor profound,
Just the perfect range,
it’s the piece of ground
yours innately grange.

It’s not a big grave,
but measured and spared,
the land which you crave
one day to see shared.

It’s a big grave for your blunt
dead body, untied and uncurled,
you’ll feel yourself more pleasant
than you ever felt in the entire world.

de Morte e Vida Severina

Essa cova em que estás,
com palmos medida,
é a cota menor
que tiraste em vida.

É de bom tamanho,
nem largo nem fundo,
é a parte que te cabe
neste latifúndio.

Não é cova grande.
é cova medida,
é a terra que querias
ver dividida.

É uma cova grande
para teu pouco defunto,
mas estarás mais ancho
que estavas no mundo.

27.12.07

Merry Christmas

The War is Over



Little words from John Lenon SHOULD STILL WORK, but everybody (including me) are so busy to do something...

And so this is Christmas
And what have you done
Another year over
And a new one just begun
And so this is Christmas
I hope you have fun
The near and the dear one
The old and the young

A very merry Christmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear

And so this is Christmas
For weak and for strong
For rich and the poor ones
The world is so wrong
And so happy Christmas
For black and for white
For yellow and red ones
Let's stop all the fight
A very merry Christmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear

And so this is Christmas
And what have we done
Another year over
And a new one just begun
And so happy Christmas
We hope you have fun
The near and the dear one
The old and the young
A very merry Christmas
And a happy New Year
Let's hope it's a good one
Without any fear

War is over
If you want it
War is over
Now...

21.12.07

xmas & nuyear

Dizem que sou louco / por subir no pé de coco
pra pegar o coco / descer com o coco
do pé do coco / e abrir o coco
pra saber se o coco / é oco.
( anônimo, em 'Pequeno Livro dos Despautérios e das Causas Perdidas do Povo do Norte-Leste Brasileiro’, 1757,)

é só iço que ouuerã :

emcoantu aijmda algo d nos meesmos nos falta,

é como averija de seer: nõ podemos dijzer que

ouro o prata nõ teemnhä nenhuüm' ijmportãcia

) ë seer, por seer, com seer ( neesta modernaijdade :

emtam dijguo falhame señr, que valhote, amen

- agora y na ora d mijnha ora . . .


Y neeste novu anno que sy açerca,

que a terra sejanos leve mas nosas oras lomgas . . .

que a gamnãçija nõ ademtre muijto em nossos corações

poijs huü pouco só - y asy só -

casy nõ se apercebe,

- neë tampoco se pod' ijmpedjr.


Y que a paz faça morada na memte dos homeës de maas uontades,

porque os de booas uontades ja a tem!



o<[¦¬]==
oh, oh, oh
& felizannonovodenovo &
> 2oo7, 2oismileoit8 <
asyno eduardo miranda
deste porto seguro d' jlha d' Eire,
oje, sestª feira, vjgesº prjmerº dija d dezº-segº mez deeste Anno-Domijnij d MMVII .

16.12.07

João Garcia de Guilhade

Double-Eye, Olafur Eliasson, Berlin, Summer 2004


Fez meu amigo gran pesar a mí
e, pero m'el fez tamanho pesar,
fezestes-me-lh', amigas, perdoar
e chegou hoj'e dixi-lh'eu assí:
«Viínde ja, ca ja vos perdoei,
mais pero nunca vos ja ben querrei».

Perdoei-lh'eu, mais non ja con sabor
que eu houvesse de lhi ben fazer,
e el quis hoj'os seus olhos merger,
e dixi-lh'eu: «Olhos de traedor,
viínde ja, ca ja vos perdoei,
mais pero nunca vos ja ben querrei».

Este perdón foi de guisa, de pran,
que ja máis nunca mig'houvess'amor,
e non ousava viír con pavor,
e dixi-lh'eu: «Ai cabeça de can,
viínde ja, ca ja vos perdoei,
mais pero nunca vos ja ben querrei».

13.12.07

a pedra


... aferro-me a palavras minhas e me petrifico:
sou o protagonista dos males que crio
e dos quais sempre busco fugir.
os outros, os seres necrofágicos,
eles são os culpados. e os atraio,
os saúdo e num deles me transformo
ao transbordar minha brutalidade.

asyno eduardo miranda
deste porto seguro da jlha do eire
oje, dezº terçº dia do
dezº segº mez deste anno de MMVII

3.12.07

MY...

... LOVE IS IN THE AIR!
(John Paul Young)


Love is in the air
Everywhere I look around
Love is in the air
Every sight and every sound

And I don't know if I'm being foolish
Don't know if I'm being wise
But it's something that I must believe in
And it's there when I look in your eyes

Love is in the air
In the whisper of the trees
Love is in the air
In the thunder of the sea

And I don't know if I'm just dreaming
Don't know if I feel sane
But it's something that I must believe in
And it's there when you call out my name

(Chorus)
Love is in the air
Love is in the air
Oh oh oh
Oh oh oh

Love is in the air
In the rising of the sun
Love is in the air
When the day is nearly done

And I don't know if you're an illusion
Don't know if I see it true
But you're something that I must believe in
And you're there when I reach out for you

Love is in the air
Every sight and every sound
And I don't know if I'm being foolish
Don't know if I'm being wise

But it's something that I must believe in
And it's there when I look in your eyes

25.11.07

Tô Voltando

(Paulo César Pinheiro e Maurício Tapajós)

Pode ir armando o coreto e preparando aquele feijão preto
Eu tô voltando

Põe meia dúzia de Brahma pra gelar, muda a roupa de cama
Eu tô voltando

Leva o chinelo pra sala de jantar...Que é lá mesmo que a mala eu vou largar
Quero te abraçar, pode se perfumar porque eu tô voltando

Dá uma geral, faz um bom defumador, enche a casa de flor
Que eu tô voltando

Pega uma praia, aproveita, ta calor, vai pegando uma cor
Que eu tô voltando

Faz um cabelo bonito pra eu notar que eu só quero mesmo é
Despentear
Quero te agarrar... pode se preparar porque eu tô voltando

Põe pra tocar na vitrola aquele som, estréia uma camisola
Eu tô voltando

Dá folga pra empregada, manda a criançada pra casa da avó
Que eu tô voltando

Diz que eu só volto amanhã se alguém chamar
Telefone não deixa nem tocar... Quero lá.. lá.. lá.. ia.....porque eu tô voltando!

3.11.07

um pessoa


Autopsychography
trans-creation by eduardo miranda

The poet is a mere dissimulator
His dissimulation seems so real
That he even dissimulates the dolor
The dolor which he can really feel.

And those who read his writes,
In the pain chore feels well,
Not both the pains he delights,
But the one which no one tells.

Thus in the gutters of the Funny wheel,
Spin, spin, to put my mind apart
This convoy of rope made of steel
This convoy of hope called heart.

* * *

Autopsicografia

O poeta é um fingidor.

Finge tão completamente
Que chega a fingir que é dor
A dor que deveras sente.

E os que lêem o que escreve,
Na dor lida sentem bem,
Não as duas que ele teve,
Mas só a que eles não têm.

E assim nas calhas de roda
Gira, a entreter a razão,
Esse comboio de corda
Que se chama coração.

fernando pessoa, 27/11/1930

10.10.07

Alguém aí viu o meu Gin? (*)

Does anybody here remember Vera Lynn?
Remember how she said that
We would meet again
Some sunny day?

Vera! Vera!
What has become of you?
Does anybody else in here
Feel the way I do?

Pink Floyd

(*) Vera Lynn is Cockney slang for Gin.

9.10.07

Flatus

Flatus
ensaio sobre poema "The Tiger", de Willian Blake



Flatus, flatus, de intenso cheiro, flatus,
O que és, flatus, senão gases expelido pelo ânus?
Dióxido de carbono, hidrogênio e metano na mistura,
E sulfeto de hidrogênio e enxofre para dar a bastura.

E se todos falam de peido, eu também vou falar
Pois peido mesmo são aqueles que deveriam governar
Mas só peidam & peidam, sem vergonha nem decoro,
Pelos cantos, pelas casas, peidam em todos os foros.

Em que narinas & em que pulmões, daqui ou d'além mar
Queimam teus fedores? Donde os planeja fermentar?
Dentre tantos horrores que ainda hoje se atença,
Que bundas & cús brindarás com tua flatosa presença?

Quantos mortos mais? Sejam nos aviões ou nas ruas?
Quais bolsos agora farão morada às tuas falcatruas?
Donde está a vergonha de ter tua cabeça a prêmio,
Se tirar o cú da reta te faz honrado no teu grêmio?

Quais foram os martelos? Quais foram as correntes?
Em que fornalhas ousaste forjar tua infesta mente?
Com que bigornas? Que morsas de mandíbulas infinitas,
Desafiaste tuas mortalhas em quais câmaras malditas?

Flatus, flatus, de intenso cheiro, flatus,
O que és senão o cheiro podre dos teus múnus
Mensaleiros, népotas e coronéis para a mistura
E um pouco de calheiro para dar vazadura.